quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

Morra todos os dias


- Nós estamos acostumados a ligar a palavra morte apenas à ausência de vida e isso é um erro. Existem outros tipos de morte e nós precisamos morrer todo dias.

- A morte nada mais é do que uma passagem, uma transformação.

- Não existe planta sem a morte da semente, não existe embrião sem a morte do óvulo e do esperma, não existe borboleta sem a morte da lagarta, isso é óbvio!

- A morte nada mais é do que o ponto de partida para o início de algo novo. É a fronteira entre o passado o futuro.

- Se você quer ser um bom universitário, mate dentro de você o secundarista aéreo que acha que ainda tem muito tempo pela frente.

- Quer ser um bom profissional? Então mate dentro de você o universitário descomprometido que acha que a vida se resume a estudar só o suficiente para fazer as provas.

- Quer ter um bom relacionamento então mate dentro de você o jovem inseguro ou ciumento ou o solteiro solto que pensa poder fazer planos sozinhos, sem ter que dividir espaços, projetos e tempo com mais ninguém.

- Enfim, todo processo de evolução exige que matemos o nosso "eu" passado, inferior.

- E, qual o risco de não agirmos assim? O risco está em tentarmos ser duas pessoas ao mesmo tempo, perdendo o nosso foco, comprometendo nossa produtividade e, por fim, prejudicando nosso sucesso.

- Muitas pessoas não evoluem porque ficam se agarrando ao que eram, não se projetam para o que serão ou desejam ser.

- Elas querem a nova etapa, sem abrir mão da forma como pensavam ou como agiam. Acabam se transformando em projetos inacabados, híbridos, adultos "infantilizados".

- Podemos até agir, às vezes, como meninos, de tal forma que não matemos virtudes de criança que também são necessárias a nós, adultos, como: brincadeira, sorriso fácil, vitalidade, criatividade etc.

- Mas, se quisermos ser adultos, devemos necessariamente matar pensamentos infantis, para passarmos a pensar como adultos.

- Quer ser alguém (líder, profissional, pai ou mãe, cidadão ou cidadã, amigo ou amiga) melhor e mais evoluído?

- Então, o que você precisa matar em si ainda hoje para que nasça o ser que você tanto deseja ser?

- Pense nisso e morra!

- Mas, não esqueça de nascer melhor ainda!




Escrito por Paulo Angelim,  arquiteto e pós-graduado em Gestão de Marketing, com uma trajetória sólida como empresário no setor imobiliário. Autor de diversos livros sobre vendas, motivação e desenvolvimento pessoal, ele também contribuiu com colunas e artigos em publicações renomadas como VOCÊ S.A., EXAME, Venda Mais, Pequenas Empresas & Grandes Negócios e outros periódicos nacionais. 

segunda-feira, 3 de novembro de 2025

A parede dos 80 anos

 O psicólogo Hideki Wada publicou um livro intitulado “A parede dos 80 anos”. Assim que foi lançado, o livro superou as 500.000 cópias vendidas, tornando-se o livro mais vendido do momento. Se essa tendência continuar, as vendas devem ultrapassar 1 milhão de cópias, tornando-se o livro do ano no Japão.

O Dr. Wada, de 61 anos, é médico especializado em doenças mentais em idosos. Ele condensou os segredos de uma vida “afortunada” para os jovens de 80 anos em 44 frases, listadas abaixo:

1. Continue caminhando.

2. Quando estiver com raiva, respire profundamente.

3. Faça exercícios suficientes para que seu corpo não endureça.

4. Beba mais água ao usar ar-condicionado no verão.

5. Fraldas são úteis para aumentar a mobilidade.

6. Quanto mais você mastiga, mais ativos ficam seu cérebro e seu corpo.

7. A perda de memória não é por causa da idade, mas da falta de uso do cérebro.

8. Não há necessidade de tomar remédio demais.

9. Não é necessário reduzir excessivamente a pressão arterial e o açúcar.

10. Estar sozinho não é solidão; é passar o tempo em paz.

11. A preguiça não é motivo de vergonha.

12. Não é preciso gastar dinheiro com carteira de motorista (há uma campanha no Japão para que idosos devolvam suas habilitações).

13. Faça o que quiser; não faça o que não gosta.

14. Os desejos naturais permanecem mesmo na velhice.

15. Em qualquer caso, não fique sentado em casa o tempo todo.

16. Coma o que quiser; um pouco de sobrepeso é melhor.

17. Faça tudo com cuidado.

18. Não se envolva com pessoas de quem não gosta.

19. Não assista à televisão o tempo todo.

20. Em vez de lutar contra a doença, aprenda a conviver com ela.

21. “Quando o carro chega à montanha, o caminho aparece”: esta é a frase mágica da felicidade para os idosos.

22. Coma frutas e saladas frescas.

23. O tempo de banho não deve ultrapassar 10 minutos.

24. Se não conseguir dormir, não se force.

25. Atividades que trazem alegria aumentam a atividade cerebral.

26. Diga o que sente; não pense demais.

27. Encontre um “médico de família” o quanto antes.

28. Não seja paciente ou rígido demais; ser um “idoso ousado” também não é ruim.

29. Às vezes, mudar de opinião está tudo bem.

30. Na fase final da vida, a demência é um presente de Deus.

31. Se parar de aprender, você envelhece.

32. Não deseje fama; o que você tem já é suficiente.

33. A inocência pertence aos idosos.

34. Quanto mais difícil algo for, mais interessante se torna.

35. Tomar sol traz felicidade.

36. Faça coisas que beneficiem os outros.

37. Gaste o dia de hoje com tranquilidade.

38. O desejo é a chave para a longevidade.

39. Viva com alegria.

40. Respire com leveza.

41. Os princípios da vida estão em suas próprias mãos.

42. Aceite tudo em paz.

43. Pessoas alegres são amadas por todos.

44. Um sorriso traz boa sorte.

Envelhecer não é uma limitação, é um presente. Com a perspectiva certa e hábitos diários saudáveis, os anos após os 60 podem ser os mais gratificantes da vida. Vamos aceitar o envelhecimento sem medo, mas com graça, gratidão e a sabedoria que o Dr. Wada compartilha com tanta generosidade.

terça-feira, 7 de outubro de 2025

Você realmente conhece as pessoas?

 Certa vez, trabalhei em uma pequena empresa de Engenharia. Foi lá que fiquei conhecendo um rapaz chamado Mauro. Ele era grandalhão e gostava de fazer brincadeiras com os outros, sempre pregando pequenas peças. Havia também o Ernani, que era um pouco mais velho que o resto do grupo. Sempre quieto, inofensivo, à parte, Ernani costumava comer o seu lanche sozinho, num canto da sala. Ele não participava das brincadeiras que fazíamos após o almoço, sendo que, ao terminar a refeição, sempre sentava sozinho debaixo de uma árvore mais distante.

Devido a esse seu comportamento, Ernani era o alvo natural das brincadeiras e piadas do grupo. Ora ele encontrava um sapo na marmita, ora um rato morto em seu chapéu. E o que achávamos mais incrível é que ele sempre aceitava aquilo sem ficar bravo. Em um feriado prolongado, Mauro resolveu ir pescar no Pantanal. Antes, nos prometeu que, se conseguisse sucesso, iria dar um pouco do resultado da pesca para cada um de nós. No seu retorno, ficamos todos muito animados quando vimos que ele havia pescado alguns dourados enormes.

Mauro, entretanto, levou-nos para um canto e nos disse que tinha preparado uma boa peça para aplicar no Ernani. Mauro dividira os dourados, fazendo pacotes com uma boa porção para cada um de nós. Mas, a 'peça' programada era que ele havia separado os restos dos peixes num pacote maior, à parte. 'Vai ser muito engraçado quando o Ernani desembrulhar esse 'presente' e encontrar espinhas, peles e vísceras!', disse-nos Mauro, que já estava se divertindo com aquilo.

Mauro então distribuiu os pacotes no horário do almoço. Cada um de nós, que ia abrindo o seu pacote contendo uma bela porção de peixe, então dizia: 'Obrigado!'. Mas o maior pacote de todos, ele deixou por último. Era para o Ernani. Todos nós já estávamos quase explodindo de vontade de rir, sendo que Mauro exibia um ar especial, de grande satisfação. 
Como sempre, Ernani estava sentado sozinho, no lado mais afastado da grande mesa. 
Mauro então levou o pacote para perto dele, e todos ficamos na expectativa do que estava para acontecer.

Ernani não era o tipo de muitas palavras. Ele falava tão pouco que, muitas vezes, nem se percebia que ele estava por perto. Em três anos, ele provavelmente não tinha dito nem cem palavras ao todo. Por isso, o que aconteceu a seguir nos pegou de surpresa. Ele pegou o pacote firmemente nas mãos e o levantou devagar, com um grande sorriso no rosto. Foi então que notamos que seus olhos estavam brilhando. Por alguns momentos, o seu pomo de Adão se moveu para cima e para baixo, até ele conseguir controlar sua emoção.

'Eu sabia que você não ia se esquecer de mim', disse com a voz embargada.-'Eu sabia, você é grandalhão e gosta de fazer brincadeiras, mas sempre soube que você tem um bom coração'. 
Ele engoliu em seco novamente, e continuou falando, dessa vez para todos nós: 
'Eu sei que não tenho sido muito participativo com vocês, mas nunca foi por má intenção. 
Sabem... Eu tenho cinco filhos em casa, e uma esposa inválida, que há quatro anos está presa na cama. E estou ciente de que ela nunca mais vai melhorar. Às vezes, quando ela passa mal, eu tenho que ficar a noite inteira acordado, cuidando dela. E a maior parte do meu salário tem sido para os seus médicos e os remédios. As crianças fazem o que podem para ajudar, mas tem sido difícil colocar comida para todos na mesa. Vocês talvez achem esquisito que eu vá comer o meu almoço sozinho, num canto...

Bem, é que eu fico meio envergonhado, porque na maioria das vezes eu não tenho nada para pôr no meu sanduíche. Ou, como hoje, eu tinha somente uma batata na minha marmita. Mas eu quero que saibam que essa porção de peixe representa, realmente, muito para mim.  Provavelmente muito mais do que para qualquer um de vocês, porque hoje à noite os meus filhos...', ele limpou as lágrimas dos olhos com as costas das mãos. 
'Hoje à noite os meus filhos vão ter, realmente, depois de alguns anos...' e ele começou a abrir o pacote...

Nós tínhamos estado prestando tanta atenção no Ernani, enquanto ele falava, que nem havíamos notado a reação do Mauro. Mas agora, todos percebemos a sua aflição quando ele saltou e tentou pegar o pacote das mãos do Ernani. Mas era tarde demais. Ernani já tinha aberto e pacote e estava, agora, examinando cada pedaço de espinha, cada porção de pele e de vísceras, levantando cada rabo de peixe. Era para ter sido tão engraçado, mas ninguém riu. Todos nós ficamos olhando para baixo. E a pior parte foi quando Ernani, tentando sorrir, falou a mesma coisa que todos nós havíamos dito anteriormente: - 'Obrigado!'.

Em silêncio, um a um, cada um dos colegas pegou o seu pacote e o colocou na frente do Ernani, porque depois de muitos anos nós havíamos, de repente, entendido quem era realmente o Ernani. Uma semana depois, a esposa de Ernani faleceu. Cada um de nós, daquele grupo, passou então a ajudar as cinco crianças. Mauro, hoje aposentado, continua fazendo brincadeiras; entretanto, são de um tipo muito diferente: Ele organizou nove grupos de voluntários que distribuem brinquedos para crianças hospitalizadas e as entretêm com jogos, estórias e outros divertimentos.

Às vezes, convivemos por muitos anos com uma pessoa, para só então percebermos que mal a conhecemos. Nunca lhe demos a devida atenção; não demonstramos qualquer interesse pelas coisas dela; ignoramos as suas ansiedades ou os seus problemas. Que possamos manter sempre vivo, em nossas mentes, o ensinamento de Jesus Cristo: ' Como Eu vos amei, amai-vos também uns aos outros.'(João 13,34).


Cada Ernani sabe o fardo que carrega... , portanto respeite o jeito de ser de cada um
.




                                                                                          (Desconheço a autoria)

quarta-feira, 10 de setembro de 2025

O perdão liberta a quem dá e a quem recebe!



Pouca gente conhece essa história. Mas ela está entre as mais comoventes já vividas por um dos maiores nomes da cultura brasileira. É uma história real. Uma daquelas que mexem com a gente por dentro. Que desafiam o ego, que escancaram a dor... mas também revelam o tamanho da alma.
Jô Soares perdeu sua mãe, Mercedes Leal Soares, de forma trágica. Ela tinha 70 anos quando foi atropelada por um táxi em um dia chuvoso.
O acidente aconteceu de maneira inesperada, como quase sempre acontece com as tragédias.
Ela foi socorrida imediatamente pelo próprio motorista, que ficou ao lado do marido dela — o pai de Jô — até o último segundo.

Mas, infelizmente, a fratura na base do crânio foi fatal. E Mercedes não resistiu.
Agora respira fundo.
Dez anos se passaram.
Jô estava em um aeroporto do Rio de Janeiro, no Santos Dumont. Pediu um táxi como faria qualquer pessoa.
Entrou no carro sem imaginar que aquele seria um dos encontros mais intensos e simbólicos da sua vida.

A corrida seguiu normalmente.
Mas, ao final, o motorista parou, virou-se para ele, com olhos cheios de lágrimas, e disse:
— “Senhor Jô... eu sou o homem que atropelou sua mãe.”

Silêncio.

O tempo deve ter parado por alguns segundos naquele carro.
O motorista então revelou que carregava aquele peso havia anos. Que desde aquele dia não conseguia mais dormir em paz.
Disse que só encontraria descanso verdadeiro quando pudesse olhar nos olhos de Jô e ouvir, da boca dele, que estava perdoado.

Agora imagine.

Imagine a dor contida naquele reencontro.
A culpa do motorista.
A saudade da mãe.
A surpresa de Jô.
E, mesmo assim, ele não hesitou.

Com a voz calma e o coração cheio de humanidade, Jô respondeu:

— “O perdão foi dado ali mesmo, naquele dia. Quando você socorreu minha mãe. Quando ficou com meu pai. Quando teve dignidade e humanidade diante do que aconteceu. Você não teve culpa. E eu já estou em paz com isso há muito tempo.”

Ambos começaram a chorar.

Ali, naquele carro parado, duas vidas foram tocadas pelo mistério do perdão.
Jô Soares contou essa história em 2015, durante uma entrevista ao jornalista Marcelo Bonfá.
E, com a serenidade de quem já compreendeu as coisas mais profundas da vida, ele concluiu:

— “O perdão é a coisa mais importante do mundo.”

Essa história nos desarma.
Ela nos lembra que há tragédias inevitáveis, dores que não têm explicação, feridas que a gente pensa que nunca vão cicatrizar.
Mas também nos lembra que, mesmo dentro dessas dores, existe espaço para a compaixão.

Para a empatia.

Para o perdão que liberta — a quem dá e a quem recebe.
Hoje, mais do que nunca, o Brasil precisa ouvir histórias assim.
Histórias reais.
Humanas.
Capazes de acender uma luz no meio da escuridão.
Se Jô Soares, com toda sua dor, foi capaz de perdoar o homem que tirou a vida de sua mãe...
O que nos impede de perdoar as pequenas mágoas do nosso cotidiano?



(Texto que circula na Internet)

quarta-feira, 6 de agosto de 2025

Reflexões do oncologista brasileiro Drauzio Varela

1. A terceira idade da vida começa oficialmente aos 60 anos e espera-se que termine aos 80.

2. A quarta idade, ou velhice, começa aos 80 anos e termina aos 90.

3. A longevidade começa aos 90 anos e termina após a morte.

4. O principal problema de uma pessoa idosa é a solidão. Frequentemente, os cônjuges não envelhecem juntos, alguém sempre vai primeiro. Um viúvo ou viúva se torna um fardo para sua família. Por isso, é tão importante não perder o contato com amigos, se reunir e se comunicar com frequência, para não ser um fardo para os filhos e netos, que provavelmente nunca dirão isso.

5. Minha recomendação pessoal é não perder o controle da sua vida. Isso significa decidir quando e com quem sair, o que comer, como se vestir, a quem ligar, a que hora dormir, o que ler, com o que se divertir, o que comprar, onde morar, etc. Porque se você não pode fazer todas essas coisas livremente e por conta própria, você se tornará uma pessoa insuportável que será um fardo para a vida dos outros.

William Shakespeare disse: "Sempre se sinta feliz!" Você sabe por quê? Porque não espero nada de ninguém. A espera sempre é agonizante. Os problemas não são eternos, sempre têm uma solução. Acredita-se que somos culpados pelos nossos problemas. O único para o que não há cura é a morte.

Antes de reagir... inspire profundamente; Antes de falar... escute; Antes de criticar... olhe para si mesmo; Antes de escrever... pense com cuidado; Antes de atacar... renda-se; Antes de morrer... viva a vida mais linda que puder!!!

A melhor relação não é com a pessoa perfeita, mas com alguém que aprendeu e está aprendendo a viver de forma tão interessante e bonita quanto possível. Observe as deficiências das outras pessoas... mas também admire e elogie suas virtudes.

Se você quer ser feliz, tem que fazer alguém feliz. Se você quer algo, primeiro deve dar algo de si mesmo. Você precisa se rodear de pessoas boas, amigáveis e interessantes e ser um deles.

Lembre-se: Nos momentos difíceis, mesmo com lágrimas nos olhos, levante-se e diga com um sorriso: "tudo está bem, porque somos frutos de um processo evolutivo.

terça-feira, 1 de julho de 2025

A torcida da sua vida!

Mesmo antes de nascer, já tinha alguém torcendo por você. Tinha gente  que torcia para você ser menino. Outros torciam para você ser menina.

Torciam para você puxar a beleza da mãe, o bom humor do pai. Estavam torcendo para você nascer perfeito. Daí continuaram torcendo…

Torceram pelo seu primeiro sorriso, pela primeira palavra, pelo primeiro passo. O seu primeiro dia de escola foi a maior torcida. E o primeiro gol, então? E, de tanto torcerem por você, você aprendeu a torcer. Começou a torcer para ganhar muitos presentes e flagrar Papai Noel.
Torcia o nariz para o quiabo e a escarola. Mas torcia por hambúrguer e refrigerante. Começou a torcer até para um time. Provavelmente, nesse dia, você descobriu que tem gente que torce diferente de você.

Seus pais torciam para você comer de boca fechada, tomar banho, escovar os dentes, estudar inglês e piano. Eles só estavam torcendo para você ser uma pessoa bacana. Seus amigos torciam para você usar brinco, cabular aula, falar palavrão. Eles também estavam torcendo
para você ser bacana.

Nessas horas, você só torcia para não ter nascido. E por não saber pelo que você torcia, torcia torcido. Torceu para seus irmãos se ferrarem, torceu para o mundo explodir. E quando os hormônios começaram a torcer, torceu pelo primeiro beijo, pelo primeiro amasso.

Depois começou a torcer pela sua liberdade. Torcia para viajar com a turma, ficar até tarde na rua. Sua mãe só torcia para você chegar vivo em casa. Passou a torcer o nariz para as roupas da sua irmã, para as ideias dos professores e para qualquer opinião dos seus pais. Todo mundo queria era torcer o seu pescoço.

Foi quando até você começou a torcer pelo seu futuro. Torceu para ser médico, músico, advogado… Na dúvida, torceu para ser físico nuclear ou jogador de futebol. Seus pais torciam para passar logo essa fase.

No dia do vestibular, uma grande torcida se formou. Pais, avós, vizinhos, namoradas e todos os santos torceram por você. Na faculdade, então, era torcida pra todo lado. Para a direita, esquerda, contra a corrupção, a fome na Albânia e o preço da coxinha na cantina.

E, de torcida em torcida, um dia teve um torcicolo de tanto olhar para ‘ela’… Primeiro, torceu para ela não ter outro. Torceu para ela não te achar muito baixo, muito alto, muito gordo, muito magro. Descobriu que ela torcia igual a você. E de repente vocês estavam torcendo para não acordar desse sonho.

Torceram para ganhar a geladeira, o microondas e a grana para a viagem de lua-de-mel. E, daí pra frente, você entendeu que a vida é uma grande torcida. Porque, mesmo antes do seu filho nascer, já tinha muita gente torcendo por ele. Mesmo com toda essa torcida, pode ser
que você ainda não tenha conquistado algumas coisas.

Mas muita gente ainda torce por você!!!



     (Texto recebido através do WhatsApp com autoria atribuída a Carlos Drummond de Andrade).

quarta-feira, 25 de junho de 2025

Não canse quem te quer bem



Foi durante o programa Saia Justa que a atriz Camila Morgado, discutindo sobre a chatice dos outros (e a nossa própria), lançou a frase: “Não canse quem te quer bem”. Diz ela que ouviu isso em algum lugar, mas enquanto não consegue lembrar a fonte, dou a ela a posse provisória desse achado.

Não canse quem te quer bem. Ah, se conseguíssemos manter sob controle nosso ímpeto de apoquentar. Mas não. Uns mais, outros menos, todos passam do limite na arte de encher os tubos. Ou contando uma história que não acaba nunca, ou pior: contando uma história que não acaba nunca cujos protagonistas ninguém jamais ouviu falar. Deveria ser crime inafiançável ficar contando longos casos sobre gente que não conhecemos e por quem não temos o menor interesse. Se for história de doença, então, cadeira elétrica.

Não canse quem te quer bem. Evite repetir sempre a mesma queixa. Desabafar com amigos, ok. Pedir conselho, ok também, é uma demonstração de carinho e confiança. Agora, ficar anos alugando os ouvidos alheios com as mesmas reclamações, dá licença. Troque o disco. Seus amigos gostam tanto de você, merecem saber que você é capaz de diversificar suas lamúrias.

Não canse quem te quer bem. Garçons foram treinados para te querer bem. Então não peça para trocar todos os ingredientes do risoto que você solicitou – escolha uma pizza e fim.

Seu namorado te quer muito bem. Não o obrigue a esperar pelos 20 vestidos que você vai experimentar antes de sair – pense antes no que vai usar. E discutir a relação, só uma vez por ano, se não houver outra saída.

Sua namorada também te quer muito bem. Não a amole pedindo para ela explicar de onde conhece aquele rapaz que cumprimentou na saída do cinema. Ciúme toda hora, por qualquer bobagem, é esgotante.

Não canse quem te quer bem. Não peça dinheiro emprestado pra quem vai ficar constrangido em negar. Não exija uma dedicatória especial só porque você é parente do autor do livro. E não exagere ao mostrar fotografias. Se o local que você visitou é realmente incrível, mostre três, quatro no máximo. Na verdade, fotografia a gente só mostra pra mãe e para aqueles que também aparecem na foto.

Não canse quem te quer bem. Não faça seus filhos demonstrarem dotes artísticos (cantar, dançar, tocar violão) na frente das visitas. Por amor a eles e pelas visitas.

Implicâncias quase sempre são demonstrações de afeto. Você não implica com quem te esnoba, apenas com quem possui laços fraternos. Se um amigo é barrigudo, será sobre a barriga dele que faremos piada. Se temos uma amiga que sempre chega atrasada, o atraso dela será brindado com sarcasmo. Se nosso filho é cabeludo, “quando é que tu vai cortar esse cabelo, garoto?” será a pergunta que faremos de segunda a domingo. Implicar é uma maneira de confirmar a intimidade. Mas os íntimos poderiam se elogiar, pra variar.

Não canse quem te quer bem. Se não consegue resistir a dar uma chateada, seja mala com pessoas que não te conhecem. Só esses poderão se afastar, cortar o assunto, te dar um chega pra lá. Quem te quer bem vai te ouvir até o fim e ainda vai fazer de conta que está se divertindo. Coitado. Prive‐o desse infortúnio. Ele não tem culpa de gostar de você.

(Martha Medeiros – Zero Hora – 22 de janeiro de 2012.)

terça-feira, 27 de maio de 2025

A velhice não aceita despreparo






A velhice não aceita despreparo.
Ela não chega com delicadeza… e quem a espera de mãos vazias, sente o peso da dependência.
Prepare-se. Tenha algo guardado, um teto seguro, um carro à disposição.

Mas acima de tudo: que tudo isso seja seu.
Porque envelhecer com dignidade exige autonomia.
Não reescreva seus bens. Não confie cegamente que alguém cuidará de você como você cuida de si.
Seja leve: menos posses, mais paz.
Quanto mais coisas você tem, mais elas te exigem… e, se não perceber, passam a te possuir.
A arte de viver é uma habilidade rara.
É saber dormir profundamente, comer com prazer, rir com liberdade — e não se deixar consumir pelas preocupações.
Lembre-se: neste mundo, nada é realmente nosso.
E quanto menos pertencermos às coisas, mais livres seremos por dentro.
A verdadeira prisão é a do apego.
E a liberdade começa quando aprendemos a viver com o essencial.





Robert |De Niro - Ator, produtor e cineasta ítalo-americano. 

 

 

domingo, 4 de maio de 2025

ORGULHOSA


Este é um poema de rara beleza, escrito no século Dezenove . Muitos dos sessentões de hoje tem sempre uma história para contar sobre este poema. Ou que ouvia dos avós, ou que o declamava nos concursos de poesia da escola ou que declamou para uma pessoa amada... Como um saudosista crônico, icorrigível e irrecuperável, fui resgata-lo. Nas pesquisas que fiz na internet não há um consenso quanto ao seu verdadeiro autor. Ora é atribuído ao baiano Castro Alves, ora ao seu conterrâneo Trasíbulo Ferraz Moreira e há quem assegure que não é de nenhum dos dois e sim do Maranhense Gonçalves Dias. Há também pequenas variações entre as versões atribuídas a cada um deles. Optei por uma que presumo ser mais próxima do original para apresenta-la a quem não o conhece e aos que o conhece, dar uma oportunidade de viajar no tempo.

Deixa-te disso, criança
Deixa de orgulho, sossega
Olha que a vida é um oceano
Por onde o acaso navega.

Hoje tu ostentas nas salas
As tuas pompas e galas
Os teus brasões de rainha
Amanhã, talvez, quem sabe?
Todo esse orgulho se acabe
Sendo-te a sorte mesquinha.

Deixa-te disso, olha bem
A sorte dá nega e vira
Sangue azul, em vós, fidalgos
Já neste século é mentira

Todos nós somos iguais
Os grandes, os imortais
Foram plebeus como sou
E ouve mais esta lição
Grande foi Napoleão
Grande foi Victor Hugo

Que valem nobres famílias
Linhagens puras de avós
Se o sangue dos reis é o mesmo
É o mesmo que corre em nós?

O que é belo, e sempre novo
É ver um filho do povo
Saber lutar e subir
De braços dados com a glória
Para o panteão da história
E as gerações do porvir.

De que te vale o que tens
Se não me podes comprar
Ainda que possuísses
Todas as pérolas do mar?

És fidalga, eu sou poeta!
Tens dinheiro? Eu, a completa
Riqueza no coração
Não troco uma estrofe minha
Por um colar de rainha
Ou troféus de latão.

Ainda há pouco, pedi-te
Para comigo valsar
Disseste és plebeu, és pobre
Não me quiseste aceitar.

E, no entanto, ignoras
Que aquele a quem mais adoras
Que te conquista e seduz
Embora seja da nata
Em mera figura chata
És fósforo que não dá luz.

Agora, sim, já é tempo
De dizer-te quem sou eu
Um jovem de vinte anos
Que se orgulha em ser plebeu.

Um lutador que não cansa
E que ainda tem esperança
De ser mais do que hoje é
Que luta pelo direito
Pra esmagar o preconceito
Da fidalguia sem fé.

Por isso, guardo me olhas
Com desdém e insensatez
Rio-me tanto de ti
Chego a chorar muita vez.

Chorar, sim, porque calculo
Nada pode haver mais nulo
Mais degradante e sem sal
Que uma mulher presumida
Toda, vaidosa, atrevida
Soberba, inculta e banal.





domingo, 27 de abril de 2025

A HISTÓRIA DOS DOIS SAPOS E UM POÇO FUNDO


Um grupo de sapos estava viajando pela floresta quando dois deles caíram em um poço fundo. Os outros sapos olharam para baixo e disseram:

- “É impossível sair daí.”

- “Parem de tentar, vocês vão morrer.”

Um dos sapos, ao ouvir essas palavras desmotivadoras, desistiu. Ficou fraco, perdeu as forças… e morreu.

O outro sapo, no entanto, continuou pulando com todas as suas forças. Os sapos do lado de fora gritavam para ele desistir, mas, surpreendentemente, isso parecia motivá-lo ainda mais! Até que… ele conseguiu sair do poço!

Os outros sapos ficaram chocados:

- “Você não ouviu o que dissemos?”

O sapo então respondeu:

- “Eu sou surdo. Pensei que vocês estavam me incentivando a sair.”

❇️Moral da história: Cuidado com as palavras que você escuta e as que você diz. Elas podem levantar ou destruir alguém. Se for para falar, que seja para encorajar.

E lembre-se: 

Seja sempre alguém que alguém quer ter por perto!


                                                       ( Desconheço a autoria)

domingo, 16 de março de 2025

Conversa de Botas Batidas

 

As letras e canções dos Los Hermanos marcaram toda uma geração com suas letras fortes e, ao mesmo tempo, sensíveis. Conversa de Botas Batidas, canção inspirada em uma história real, foi escrita por Marcelo Camelo e relata o diálogo de um casal que cansou de se esconder.

Contudo, apesar de ter sido inspirada em um casal de amantes, o fim da história é triste, pois se baseia em um acidente ocorrido no Rio de Janeiro, em 2002, quando o hotel Linda do Rosário desabou. Dias depois, a equipe de bombeiros encontrou os dois corpos abraçados no meio dos escombros.

Vamos conhecer melhor essa história?
História da música Conversa de Botas Batidas

A música Conversa de Botas Batidas faz parte do terceiro álbum dos Los Hermanos, Ventutra,  lançado em 2003. Para contar a história que deu origem à canção, precisamos voltar ao ano de 2002, quando o Hotel Linda do Rosário, localizado no Rio de Janeiro, desabou.

No dia 25 de setembro, o porteiro do prédio, Raimundo Barbosa de Melo, ouviu alguns estalos e começou a avisar as pessoas que estavam dentro do hotel para que saíssem a tempo em segurança. O porteiro, ao descer as escadas, se recordou do casal e foi até o quarto bater na porta. Porém, ninguém respondeu. Ele decidiu insistir mais uma vez e foi até a portaria interfonar para o quarto. Novamente, não obteve resposta.

Naquele dia, por volta das 15h15, o prédio desabou.

Depois de dois dias, os corpos do casal foram encontrados em meio aos escombros e, para a surpresa da equipe, eles estavam abraçados e deitados no que restou da cama.

Mais tarde, descobriram que a mulher era uma bancária de 47 anos e o homem era um professor de 71 anos. A história conta que eles tinham vivido um amor na juventude, mas acabaram se separando. Anos depois, se reencontraram e decidiram viver um romance escondido mesmo ambos sendo viúvos. Eles tinham receio de que as famílias não aprovassem a relação.

Não se sabe se eles estavam dormindo no momento, ou se ouviram o chamado para saírem do prédio e escolherem permanecer.

Os corpos do casal foram reconhecidos por seus familiares e o filho do professor chegou a solicitar que o nome do pai não saísse nos jornais para que a imagem dele fosse preservada.

Na letra, Marcelo Camelo imagina um diálogo entre o casal antes da tragédia, como se fosse quase uma despedida de ambos, optando por permanecerem juntos até o final mesmo diante do prenúncio da morte.

Análise da música Conversa de Botas Batidas

Veja, você, onde é que o barco foi desaguar

A gente só queria um amor
Deus parece, às vezes, se esquecer
Ai, não fala isso, por favor
Esse é só o começo do fim da nossa vida
Deixa chegar o sonho, prepara uma avenida
Que a gente vai passar


Conversa de Botas Batidas é um diálogo imaginário a respeito de um casal que está prestes a ver o fim da vida. Na primeira estrofe, vemos o início da conversa feita com construções poéticas a respeito de onde eles chegaram e sobre querer apenas viver um amor. Agora, estão diante de ver o sonho se acabar.

Veja, você, quando é que tudo foi desabar
A gente corre pra se esconder
E se amar, se amar, até o fim
Sem saber que o fim já vai chegar


O casal optou por viver esse romance às escondidas, por isso o verso a gente corre pra se esconder e a ideia de amar sem ter noção do que vai acontecer. O romance está perto do fim.

Deixa o moço bater
Que eu cansei da nossa fuga
Já não vejo motivos
Pra um amor de tantas rugas
Não ter o seu lugar


Na terceira estrofe, Marcelo Camelo constrói lindamente um desfecho imaginário: o casal chegou a ouvir as batidas na porta, porém, cansados de se esconderem e por terem adiado esse amor por tantos anos, eles estão cansados de fugir. Não há mais motivo para isso e um amor velho e cansado precisa finalmente florescer.

Abre a janela agora
Deixa que o Sol te veja
É só lembrar que o amor é tão maior
Que estamos sós no céu
Abre as cortinas pra mim
Que eu não me escondo de ninguém
O amor já desvendou nosso lugar
E agora está de bem


Eles decidem se mostrar depois de tanto se esconderem.

Abrir a janela para deixar que todo o universo veja que esse amor foi vivido. É bobagem não dizer pro mundo que valeu a pena! Não querem mais omitir de ninguém, pois o amor se desvendou e agora tudo está no seu devido lugar.

Diz, quem é maior que o amor?
Me abraça forte agora, que é chegada a nossa hora
Vem, vamos além
Vão dizer que a vida é passageira
Sem notar que a nossa estrela vai cair


Na estrofe final, a letra de Conversa de Botas Batidas nos deixa uma reflexão sobre a grandiosidade do amor. Existe algo maior? O casal escolhe permanecer junto para partir, levando esse amor para além da vida material.

No topo do Hotel Linda do Rosário havia uma estrela bem grande e Marcelo faz essa referência, nos fazendo refletir que passamos a vida sem notar a importância das coisas mais simples.

Muitas vezes, deixamos de lado amores que valem a pena por simples medo de opiniões alheias. Afinal, uma hora a estrela vai cair e o que fica mesmo? Nada além das memórias.
Do underground carioca para o mundo

A banda Los Hermanos foi formada no Rio de Janeiro, em 1997, mais especificamente em meio aos corredores da PUC, onde o vocalista Marcelo Camelo estudava jornalismo. Marcelo decidiu convidar alguns amigos para, juntos, se dedicarem à música, criando letras e harmonias.



Fonte:     https://www.letras.mus.br/blog/conversa-de-botas-batidas-historia/

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2025

Vaidade


Cantor do LS Jack é internado em coma no Rio após lipoaspiração.
É possível isso? É admissível isso? Um rapaz de 27 anos ter uma parada cardíaca e
entrar em coma após uma cirurgia de lipoaspiração? Pelo amor de Deus,
eu não quero usar nada nem ninguém, nem falar do que não sei,
nem procurar culpados, nem acusar ou apontar pessoas, mas ninguém está
percebendo que toda essa busca insana pela estética ideal é muito menos
lipo-as e muito mais piração?
Uma coisa é saúde outra é obsessão. O mundo pirou, enlouqueceu.
Hoje, Deus é a auto imagem.
Religião, é dieta.
Fé, só na estética.
Ritual é malhação.
Amor é cafona,
sinceridade é careta,
pudor é ridículo,
sentimento é bobagem.
Gordura é pecado mortal.
Ruga é contravenção.
Roubar pode, envelhecer, não.
Estria é caso de polícia.
Celulite é falta de educação.
Filho da puta bem sucedido é exemplo de sucesso.
A máxima moderna é uma só: pagando bem, que mal tem?
A sociedade consumidora, a que tem dinheiro, a que produz, não pensa em
mais nada além da imagem, imagem, imagem.
Imagem, estética, medidas, beleza. Nada mais importa.
Não importam os sentimentos, não importa a cultura, a sabedoria, o
relacionamento, a amizade, a ajuda, nada mais importa.
Não importa o outro, ou a volta, o coletivo.
Jovens não tem mais fé, nem idealismo, nem posição política.
Adultos perdem o senso em busca da juventude fabricada.
Ok, eu também quero me sentir bem, quero caber nas roupas, quero ficar
legal, quero caminhar correr, viver muito, ter uma aparência legal mas...
uma sociedade de adolescentes anoréxicas e bulímicas, de jovens
lipoaspirados, turbinados, aos vinte anos não é natural.
Não é, não pode ser.
Deus permita que ele volte do coma sem seqüelas.  Que as pessoas discutam o assunto. Que alguém acorde. Que o mundo mude. Que eu me acalme.
Que o amor sobreviva. "
" Cuide bem do seu amor, seja quem for"

                                                                                  (Herbert Vianna)


Nota deste Blog:

Texto escrito em 2004 quando do procedimento malsucedido em Marcus Menna que o deixou dois meses em coma. Ficou com sequelas na fala, memória e capacidade motora. Ele precisou se afastar dos palcos para se tratar e voltou à carreira musical em 2023 com a turnê " Tudo de Novo"


         

domingo, 5 de janeiro de 2025

CAMINHOS DO TEMPO

 CAMINHOS DO TEMPO

Há um silêncio que chega com os anos, e ele não é feito apenas da ausência de ruídos, mas da transição suave entre o que éramos e o que nos tornamos. 

Aos 60, você começa a sentir a sutileza do distanciamento. A sala que antes pulsava com suas ideias agora parece cheia de vozes que não pedem mais sua opinião. Não é uma rejeição, é o ritmo da vida. É quando aprendemos que nossa contribuição não está no presente imediato, mas nos rastros que deixamos nos corações e mentes ao longo do caminho. 

Aos 65, você percebe que o mundo corporativo, outrora tão vital, é um fluxo incessante. Ele segue, indiferente ao que você fez ou deixou de fazer. Não é uma derrota, é a libertação.

Esse é o momento de olhar para si mesmo, despir-se do ego e vestir a serenidade.

Não se trata mais de provar, mas de ensinar, de compartilhar, de ser mentor. A verdadeira realização não é a que se exibe, mas a que inspira.

Aos 70, a sociedade parece lhe esquecer, mas será mesmo? Talvez seja apenas um convite para reavaliar o que realmente importa. 

Os jovens não o reconhecerão pelo que você foi, e isso é uma bênção disfarçada: você pode agora ser apenas quem você é. Sem máscaras, sem títulos, apenas a essência. 

Os velhos amigos, aqueles que não perguntam “quem você era”, mas “como você está”, tornam-se joias preciosas, diamantes que brilham no crepúsculo da vida.

E então, aos 80 ou 90, é a família que, na sua correria, se afasta um pouco mais.

 Mas é aí que a sabedoria nos abraça com força. Entendemos que amor não é posse; é liberdade.

Seus filhos, seus netos, seguem suas vidas, como você seguiu a sua. A distância física não diminui o afeto, mas ensina que o amor verdadeiro é generoso, não exigente.

Quando a Terra finalmente chamar por você, não há motivo para medo. É a última dança de um ciclo natural, o encerramento de um capítulo escrito com suor, lágrimas, risos e memórias. 

Mas o que fica, o que realmente nunca será eliminado, são as marcas que deixamos nas almas que tocamos.

Portanto, enquanto há fôlego, energia, enquanto o coração bate firme, viva intensamente. 

Abrace os encontros, ria alto, desfrute os prazeres simples e complexos da vida. Cultive suas amizades como quem cuida de um jardim. 

Porque, no final, o que resta não são as conquistas, nem os títulos, nem os aplausos. O que resta são os laços, os momentos partilhados, a luz que espalhamos.

Seja luz, seja presença, e você será eterno.

Dedico a todos que entendem que o tempo não apaga, mas apenas transforma.


                                                 (Crônica criada e escrita por José Luiz Ricchetti - 11/12/24)