segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Tributo ao Tempo



Tudo o que vive não vive sozinho, nem pra si mesmo. Dizem que a vida é curta, mas não é verdade. A vida é longa para quem consegue viver pequenas felicidades.

E essa tal felicidade anda por aí, disfarçada, como uma criança traquina brincando de esconde-esconde.

Infelizmente às vezes não percebemos isso e passamos nossa existência colecionando nãos: a viagem que não fizemos, o presente que não demos, a festa que não fomos, o amor que não vivemos, o perfume que não sentimos.

A vida é mais emocionante quando se é ator e não espectador; quando se é piloto e não passageiro, pássaro e não paisagem, cavaleiro e não montaria.

E como ela é feita de instantes, não pode nem deve ser medida em anos ou meses, mas em minutos e segundos. Esta mensagem é um tributo ao tempo.

Tanto àquele tempo que você soube aproveitar no passado quanto àquele tempo que você não vai desperdiçar no futuro. Porque a vida é agora. Não tenha medo do futuro, apenas lute e se esforce ao máximo para que ele seja do jeito que você sempre desejou.

A morte não é a maior perda da vida. A maior perda da vida é o que morre dentro de nós enquanto vivemos.



Obs, Recebi este texto no meu WhatsApp sem identificação da fonte. Fui pesquisar na Internet e o encontrei com identificação da autoria sendo tanto do Dalai Lama como de Norman Cuisins.


quinta-feira, 22 de agosto de 2019

Quando me tornei invisível


Já não sei em que datas estamos, nesta casa não há folhinhas, e na minha memória tudo está revolto. As coisas antigas foram desaparecendo.E eu também fui apagando sem que ninguém se desse conta.

Primeiro eles mudaram meu quarto porque a família cresceu, então me passaram para um menor ainda acompanhado pelos meus bisnetos, agora eu ocupo o sótão, o do quintal, eles prometeram trocar o vidro quebrado da janela, mas eles esqueceram-se e todas as noites há um ar gelado que aumenta minha dor reumática.

Por muito tempo tive intenções de escrever, mas passei semanas procurando um lápis e quando finalmente encontrei, eu mesmo esqueci onde eu coloquei, Aaah! Na minha idade, as coisas se perdem facilmente.

Na outra tarde, percebi que minha voz também havia desaparecido, quando falo com meus netos ou com meus filhos, eles não me respondem, mas não me ouvem, não olham para mim, não me respondem ...

Então, cheio de tristeza, me retiro para o meu quarto antes de terminar de tomar a xícara de café, faço assim, de repente, para que entendam que estou com raiva, para que percebam que me ofenderam e vieram me procurar e pedir perdão . mmmh! Mas ninguém vem.

Outro dia eu disse a eles que quando eu morresse eles iriam sentir minha falta, e o neto mais novo disse ... ah! e pouco a pouco você está vivo vovó !!!!!!!

Eles acharam tão engraçado que não pararam de rir, três dias eu estava chorando no meu quarto até que uma manhã um dos meninos entrou para pegar alguns pneus velhos e, psst, nem mesmo o bom dia que ele me deu, foi quando me convenci que sou invisível.

Eu fico no meio da sala para ver se mesmo que seja um obstáculo, eles olham para mim, mas minha filha continua varrendo sem me tocar, as crianças correm ao meu redor de um lado para o outro sem tropeçar em mim.

Quando meu genro adoeceu, tive a oportunidade de ser útil para ele, trouxe-lhe um chá especial que preparei para mim, coloquei na mesa e sentei para esperar que fosse tirado, só que eu estava vendo televisão e nem pisquei quem percebeu minha presença, chá, gradualmente esfriando e meu coração também.

Numa sexta-feira, as crianças começaram a brigar e vieram me dizer que no dia seguinte todos nós iríamos fazer um piquenique, e fiquei muito feliz, fazia tanto tempo desde que saíra e menos para o campo.

No sábado fui o primeiro a levantar, queria consertar as coisas com calma ... ah!

Os mais velhos levaram muito tempo para fazer qualquer coisa, então eu demorei para não atrasá-los, depois de um tempo eles entraram e saíram da casa correndo e jogaram as bolsas e os brinquedos no carro, eu estava pronta e muito feliz esperando por eles na porta ...


Quando eles começaram e o carro desapareceu envolto em agitação, eu entendi que não fui convidado, talvez porque não se encaixasse no carro ou porque meus passos devidos impediriam que todo mundo corresse pela floresta, me senti clara, clara, como meu coração encolheu, meu queixo tremia como quando você não aguenta chorar.

Antes até beijei os pequeninos, foi um enorme prazer que ele me deu para tê-los em meus braços como se fossem meus, senti sua pele macia e sua respiração doce, muito perto de mim, a nova vida entrou em mim como uma respiração e até eu não queria cantar canções de ninar que nunca pensei ter me lembrado, mas um dia, minha neta Lucy, que acabara de ter um bebê, disse que não era bom para os idosos beijar crianças por motivos de higiene, não me aproximei, não. Se algo de ruim aconteceu com eles por causa da minha imprudência, tenho tanto medo de contradizê-los!

Espero que amanhã, quando ficarem velhos ...

√ Continue a ter essa união entre eles para que não sintam o frio ou os desprezem.

√ Que eles tenham inteligência suficiente para aceitar que suas vidas não contam mais, como eles me perguntam.

√ E que Deus queira que eles não se tornem "velhos sentimentais que ainda querem chamar atenção".

√ E que seus filhos não façam com que se sintam em pedaços, para que amanhã eles não tenham que morrer antes ... como eu.






Autora: Silvia Castillejon Peral 
Texto original: ” El dia que me volvi invisible “ 




segunda-feira, 5 de agosto de 2019

O Valor de um gupo

Um homem, comparecia assiduamente às reuniões de um grupo de amigos e, sem comunicar a ninguém, deixou de participar de suas atividades.
Depois de algumas semanas, um amigo, integrante desse grupo, decidiu visitá-lo.
Era uma noite muito fria!
O Amigo o encontrou na sua casa, sozinho, sentado diante da lareira, onde o fogo estava brilhante e acolhedor.
Adivinhando o motivo da visita do seu amigo lhe deu as boas vindas e, aproximando-se da lareira lhe ofereceu uma cadeira grande em frente à chaminé e ficou quieto, esperando.
Nos minutos seguintes, houve um grande silêncio, pois os dois homens somente admiravam a dança das chamas em volta dos troncos de lenha que queimavam.
Depois de alguns minutos, o amigo visitante examinou as brasas que se formaram e cuidadosamente escolheu uma delas, a mais incandescente de todas, empurrando-a para fora do fogo.
Sentando-se novamente, permaneceu silencioso e imóvel.
O anfitrião prestava atenção a tudo, fascinado e também quieto.
Dentro de pouco tempo, a chama da brasa solitária diminuiu, até que após um brilho discreto e momentâneo, seu fogo se apagou em um instante mínimo.
Dentro de pouco tempo, o que antes era uma festa de calor e luz, agora não passava de um frio, morto e preto pedaço de carvão, recoberto de uma camada de cinza espessa.
Nenhuma palavra tinha sido pronunciada desde a protocolar saudação inicial entre os dois amigos.
Antes de preparar-se para ir embora, o amigo visitante movimentou novamente o pedaço de carvão já apagado, frio e inútil, colocando-o novamente no meio do fogo.
Quase que imediatamente o carvão voltou a desprender-se em uma nova chama, alimentado pela luz e o calor das labaredas dos outros carvões em brasa e ao redor dele.
Quando o amigo visitante se aproximou da porta para ir-se embora, seu anfitrião lhe disse:
Obrigado pela visita e pelo belíssimo sermão... !
Retornarei ao grupo de AMIGOS que muito bem sempre me faz...


                                                                           (Desconheço a autoria)


Clube 99

Era uma vez um rei muito rico. Tinha tudo. Dinheiro, poder, conforto, centenas de súditos. Mas, ainda assim não era feliz.
Um dia, cruzou com um de seus criados, que assobiava alegremente enquanto esfregava o chão com uma vassoura.
O rei ficou intrigado.
Como ele, um soberano supremo do reino, poderia andar tão cabisbaixo enquanto um humilde servente parecia desfrutar de tanto prazer?
– “Por que você está tão feliz?”, perguntou o rei.
– “Majestade, sou apenas um serviçal. Não necessito muito. Tenho um teto para abrigar minha família e uma comida quente para aquecer nossas barrigas”.
O rei não conseguia entender. Chamou então o conselheiro do reino, a pessoa em que mais confiava.
– “Majestade, creio que o servente não faça parte do Clube 99.
– “Clube 99? Mas, o que é isso?”
– “Majestade, para compreender o que é o Clube 99, ordene que seja deixado um saco com 99 moedas de ouro na porta da casa do servente”.
E assim foi feito.
Quando o pobre criado encontrou o saco de moedas na sua porta, ficou radiante. Não podia acreditar em tamanha sorte. Nem em sonhos tinha visto tanto dinheiro.
Esparramou as moedas na mesa e começou a contá-las.
-“…96, 97, 98… 99.”
Achou estranho ter 99. Achou que talvez tivessem derrubado uma.
Provavelmente eram 100. Mas, por mais que procurasse, não encontrou nada. Eram 99 mesmo.
De repente, por algum motivo, aquela moeda que faltava ganhou uma súbita importância.
Com apenas mais uma moeda de ouro, uma só, ele completaria 100. Um número de 3 dígitos! Uma fortuna de verdade.
Ficou então obcecado por completar seu recente patrimônio com a moeda que faltava.
Decidiu que faria o que fosse preciso para conseguir mais uma moeda de ouro. Trabalharia dia e noite. Afinal, estava muito perto de ter uma fortuna de 100 moedas de ouro.
Ele seria um homem rico, com 100 moedas de ouro.
E, daquele dia em diante, a vida do servente mudou.
Passava o tempo todo pensando em como ganhar uma moeda de ouro.
Estava sempre cansado e resmungando pelos cantos. Tinha pouca paciência com a família que não entendia o que era preciso para conseguir a centésima moeda de ouro.
Parou de assobiar enquanto varria o chão.
O rei, percebendo essa mudança súbita de comportamento, chamou seu conselheiro.
– “Majestade, agora o servente faz, oficialmente, parte do Clube 99.
E continuou:
– “O Clube 99 é formado por pessoas que têm o suficiente para serem felizes, mas mesmo assim não estão satisfeitas”.
“Estão constantemente correndo atrás dessa moeda que lhes falta. Vivem repetindo que se tiverem apenas essa última e pequena coisa que lhes falta, aí sim poderão ser felizes de verdade”.
“Majestade, na realidade é preciso muito pouco para ser feliz. Porém, no momento em que ganhamos algo maior ou melhor, imediatamente surge a sensação de que poderíamos ter mais”.
“Passamos a acreditar que, com um pouco mais, haveria de fato, uma grande mudança. E ficamos em busca de um pouco mais. Só um pouco mais”.
“Perdemos o sono, nossa alegria, nossa paz e machucamos as pessoas que estão a nossa volta”.
“O pouco mais, sempre vira… um pouco mais”.
“Esse pouco mais é o preço do nosso desejo.”
E concluiu:
– “Isso, majestade… é o Clube dos 99.


Fábula Árabe de autoria desconhecida.


domingo, 14 de julho de 2019

O CAMINHO DE VOLTA


Já estou voltando. Só tenho 37 anos e já estou fazendo o caminho de volta. 

Até o ano passado eu ainda estava indo. Indo morar no apartamento mais alto do prédio mais alto do bairro mais nobre. Indo comprar o carro do ano, a bolsa de marca, a roupa da moda. Claro que para isso, durante o caminho de ida, eu fazia hora extra, fazia serão, fazia dos fins de semana eternas segundas-feiras. 

Até que um dia, meu filho quase chamou a babá de mãe! 
Mas, com quase 40 eu estava chegando lá. 
Onde mesmo? 

No que ninguém conseguiu responder, eu imaginei que quando chegasse lá ia ter uma placa com a palavra FIM. Antes dela, avistei a placa de RETORNO e nela mesmo dei meia volta. 

Comprei uma casa no campo (maneira chique de falar, mas ela é no meio do mato mesmo.) É longe que só a gota serena. Longe do prédio mais alto, do bairro mais chique, do carro mais novo, da hora extra, da babá quase mãe. 

Agora tenho menos dinheiro e mais filho. Menos marca e mais tempo. 

E num é que meus pais (que quando eu morava no bairro nobre me visitaram 4 vezes em quatro anos) agora vêm pra cá todo fim de semana? E meu filho anda de bicicleta e eu rego as plantas e meu marido descobriu que gosta de cozinhar (principalmente quando os ingredientes vêm da horta que ele mesmo plantou). 

Por aqui, quando chove a internet não chega. Fico torcendo que chova, porque é quando meu filho, espontaneamente (por falta do que fazer mesmo) abre um livro e, pasmem, lê. E no que alguém diz “a internet voltou!” já é tarde demais porque o livro já está melhor que o Facebook , o Twitter e o Orkut juntos. 

Aqui se chama ALDEIA e tal qual uma aldeia indígena, vira e mexe eu faço a dança da chuva, o chá com a planta, a rede de cama. 

No São João, assamos milho na fogueira. Nos domingos converso com os vizinhos. Nas segundas vou trabalhar contando as horas para voltar. 

Aí eu lembro da placa RETORNO e acho que nela deveria ter um subtítulo que diz assim: RETORNO – ÚLTIMA CHANCE DE VOCÊ SALVAR SUA VIDA! 

Você provavelmente ainda está indo. Não é culpa sua. É culpa do comercial que disse: “compre um e leve dois”. 

Nós, da banda de cá, esperamos sua visita. Porque sim, mais dia menos dia, você também vai querer fazer o caminho de volta. 

                                                                  ***  
                                                         

Artigo publicado originalmente na coluna do Noblat, no jornal O Globo, em 27 de junho de 2011, escrito por Téta Barbosa Noblat -  jornalista e publicitária (atualmente morando no Recife).

quarta-feira, 10 de julho de 2019

Quando eu estiver velhinha

"Quando eu estiver velhinha, vou morar um pouco com cada filho,
e dar a eles tantas alegrias... Do jeito que eles me deram.
Quero retribuir tudo o que desfrutei deles fazendo as mesmas coisas.
Oh, eles vão adorar!
Escreverei nas paredes com lápis de cores diversas, pularei nos sofás de sapatos e tudo. Beberei das garrafas e as deixarei vazias e fora da geladeira, entupirei de papel os vasos sanitários; como eles ficarão bravos com isso!

(Quando eu estiver velhinha e for morar com meus filhos)...

Quando eles estiverem ao telefone e não puderem me alcançar,
vou aproveitar para brincar com o açúcar ou com a água sanitária.
Eles vão balançar suas cabeças e correr atrás de mim.Mas, eu estarei escondida debaixo da cama.
Quando me chamarem para o jantar que eles prepararam, não vou comer as verduras, as saladas ou a carne, vou engasgar com o quiabo e derramar leite na mesa, e quando se zangarem, corro ― se for capaz!
Sentarei bem perto da TV e vou mudar de canal o tempo todo.
Tirarei as meias pela sala e perderei sempre um pé; e vou brincar na lama até o final do dia.

E mais tarde, à noite, já deitada, vou agradecer a Deus por tudo, fechar meus olhinhos para dormir, e meus filhos vão olhar para mim com um meio sorriso e vão dizer:

― Ela é tão doce quando está dormindo!"



Texto atribuido a Luciana Viter - Professora e especialista em tecnologias na educação -  Cabo Frio/RJ

                                           

quinta-feira, 4 de julho de 2019

O valor do silêncio


“Em muitos momentos da vida o silêncio é a resposta mais sábia que podemos dar a alguém. Por isso, prepare bem a palavra que será dita.

Palavras apressadas não combinam com sabedoria. Os sábios preferem o silêncio. E nos seus poucos dizeres está condensada uma fonte inesgotável de sabedoria.

Não caia na tentação do discurso banal, da explicação simplória.

Queira a profundidade da fala que nos pede calma. Calma para dizer, calma para ouvir. Hoje, neste tempo de palavras muitas, queiramos a beleza dos silêncios poucos.

Não diga as coisas com pressa. Mais vale um silêncio certo, que uma palavra errada. Demore naquilo que você precisa dizer.

Livre-se da pressa de querer dar ordens ao mundo. É mais fácil a gente se arrepender de uma palavra, do que de um silêncio.

Palavra errada, na hora errada, pode se transformar em ferida naquele que disse, e também naquele que ouviu.

Em muitos momentos da vida, o silêncio é a resposta mais sábia que podemos dar a alguém.

O silêncio é a única resposta que devemos dar aos tolos. Porque onde a ignorância fala, a inteligência não dá palpites.”

                                                                 (Padre Fábio de Melo)