sábado, 27 de março de 2021

Dr. Nazareno

 

               Adriano  era um empresário bem sucedido que vivia em constante conflito existencial e espiritual.  Apesar de pertencer a uma família tradicionalmente católica, e parte de sua educação escolar ter sido em instituições com viés católico,  tinha muitas dúvidas  sobre a existência de uma divindade ou um ser superior.  Não frequentava  templos e não se imiscuía em  questões religiosas, não se assumia propriamente  ateu e declarava-se agnóstico, já que não possuía conhecimentos ou  evidências da existência de Deus. Era partidário  de uma corrente espiritual que pregava o materialismo e fazia questão de propagar nos  seus círculos sociais ser parte do grupo das pessoas declaradas sem religião – 12% da população mundial.

               Na parede de seu escritório, num quadro com moldura  fina e letras douradas,   destacava-se uma frase ateísta  sem identificação da autoria:  "Sabe o que acontece quando não se acredita em Deus? Nada!".  Para justificar seu ceticismo quanto à existência Divina, comentava que conhecia várias histórias para embasar essa incredulidade, como a de um amigo evangélico que perdeu um filho, vítima de um assalto  no caminho da escola para casa,  ao se recusar a entregar para o assaltante  o seu telefone celular, presente do avô quando completou 15 anos. A partir daí viu seu  amigo se desviar da religião e mudar a forma de ver Deus.  Comentava também que quando o cantor Cristiano Araújo sofreu o acidente e veio a falecer,  o pai dele, João Reis, lamentou a morte do filho e questionou a existência de Deus, já que orava todos os dias pedindo a companhia e proteção dEle nas viagens do Cristiano. Depois disso, passou a se perguntar: “Será que Deus existe?".

              Adriano levava uma vida sedentária, trabalhava até tarde da noite, e não se alimentava de  forma regular e saudável. Vida social e família ficavam em segundo plano.  Semana passada, após mais um dia de intensa atividade na empresa, passou mal: suava frio e sentia desconforto em um dos braços,  bem como náuseas e vômito – sintomas de infarto. Ligou para o seu médico que determinou de imediato a sua internação. Chamou o SAMU – Serviço de Atendimento Médico de Urgência que prestou os primeiros socorros e o conduziu ao hospital. Atendido com a urgência que a situação exigia, foram infrutíferas todas as tentativas de salvá-lo e, algumas horas depois, sem que os sinais vitais voltassem, a equipe médica se reuniu, chamou a família  e informou: 

               -  “ O coração não dá mais sinais de batimentos, está sem contratividade e não há mais nada que a medicina possa  fazer”.

               Enquanto se estava providenciado os protocolos para oficializar a  sua  morte,  chegou a informação de que o sr. Adriano  voltou a respirar. Houve correria, perplexidade e, constatado o fato, todos foram unânimes em afirmar:

             -   “ Só pode ser milagre de Deus! ” .

              Depois que o Adriano recebeu alta, visitei-o em sua casa ainda em processo de convalescência. Contou-me que depois que entrou na ambulância sua memória apagou, e somente  recobrou os sentidos numa cama hospitalar, numa sala com paredes brancas, muito iluminada, onde se ouvia em tom suave, uma música clássica que parecia ser tocada por uma harpa.

E continuou:

             -   “De repente entrou um senhor,  que diferentemente do  tradicional pijama cirúrgico na cor verde, estava vestido  com uma indumentária  religiosa toda branca. Na altura do seu peito esquerdo podia-se  ler:  Dr. Nazareno.   Colocou o estetoscópio no meu tórax, fez a auscultação dos meus  batimentos  cardíacos  e avisou-me  que as minhas  funções cardiovasculares estavam  normalizadas e iria autorizar a minha  alta. Senti naquele  momento um misto de alegria e satisfação”.    

              Contou-me  ainda que quando  estava de saída do hospital,  procurou pelo Dr. Nazareno para agradecê-lo, mas fora informado que não  havia nenhum médico registrado naquele hospital com este nome e ai seu sentimento foi de surpresa e comoção.   Ciente do seu ceticismo e incredulidade religiosa, evitei debater o  tema e fazer questionamentos sobre os tais relatos.

              Ontem, recebi o convite para assistir à uma missa de Ação de Graças pela sua total recuperação. Como ele havia retomado à sua rotina profissional, fui ao seu escritório para agradecê-lo  pelo convite e  externar minha satisfação em vê-lo recuperado  e contemplado com uma nova oportunidade de vida.

            - Você ainda tem dúvidas da existência de um ser superior?

           Quis perguntar, mas recuei quando percebi que a resposta estava bem ali na frente.  O mesmo quadro com moldura  fina e letras douradas agora ostentava uma nova frase: “ A tua palavra é lâmpada que ilumina os meus passos e luz que clareia o meu caminho" ( Salmos 119.105).

quinta-feira, 4 de março de 2021

“Está morrendo a geração de ferro, para dar passagem à geração de cristal"

 



Quem é a geração de ferro?

- Aqueles que chamávamos de “senhor” e “senhora”, porque “você” é para “seus amiguinhos”.

- A geração que não estudou porque precisava trabalhar para ajudar os pais, depois para realizar o sonho da casa própria, sustentar a família... mas chorou de emoção e orgulho na formatura dos filhos.

- A geração que antes da 22:00h colocava todo mundo na cama, ajeitava o cobertor, dava um beijo de boa noite depois de rezar junto, porque “ninguém deve dormir sem rezar, não somos bichos.”

- Aqueles que nunca viram uma carreira de cocaína, nem precisavam de comprimidos, ou energéticos para rir e dançar a noite inteira, mas não ousavam tomar manga com leite.

- E ninguém saía, ou entrava em casa sem “a bênção”... e isso fazia toda diferença.

- A geração que nunca sonhou com a Disneylândia, porque divertido mesmo era ficar na calçada com os vizinhos, contando causos enquanto ficavam “de olho nas crianças”.

- A geração que guardava o troco de moedas no cofrinho, mas não economizava nas festas de aniversário – um bolo, sanduiche, brigadeiro e suco. Sem DJ, só o som das crianças brincando e a risada dos parentes e amigos.

- A geração que anotava as dívidas na caderneta e ansiava pelo dia do pagamento para quitar todas as dívidas, porque “esse dinheiro não é meu”.

Está morrendo a geração que pagou para ver; bancou os seus sonhos e sonhou os sonhos dos filhos; sorvete era para dias especiais e comer arroz e feijão era a regra para crescer forte, porque "saco vazio não pára em pé.".

- A geração que fez do trabalho o objetivo de vida, não soube o que eram férias e passear na praça com os amigos era uma aventura deliciosa, que rendia incontáveis fofocas e segredos.

- A geração que sempre deixou o último bolinho para os filhos, mas amargou a saudade e o medo, quando esses filhos não tiveram mais tempo para eles.

- A geração que pagou todas as contas, mas não imaginou que envelhecer seria tão caro e os filhos não estariam dispostos a dividir essa conta.

- A  geração que soube arrancar comida e esperança de pedra, para cuidar da família, mas esqueceu de cuidar de si mesmo.

- A geração que sem estudos educou seus filhos. Aquela que, apesar da falta de tudo, nunca permitiu que faltasse o indispensável em casa.

Aquela que ensinou valores, começando por amor e respeito. As pessoas que ensinavam aos homens o valor de uma mulher. E às mulheres o respeito pelos homens.

Estão morrendo os que podiam viver com poucos luxos sem se sentir frustrados com isso. Aqueles que trabalharam desde tenra idade e ensinaram o valor das coisas, não o preço.

Estão morrendo os que passaram por mil dificuldades e sem desistir nos ensinaram a viver com dignidade. Aqueles que depois de uma vida de sacrifícios e agruras vão com as mãos enrugadas, mas a testa erguida. A geração que nos ensinou a viver sem medo está morrendo.

Ela está morrendo, A geração que nos deu a vida



(Desconheço a autoria)

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

Quanto tempo dura a raiva que você tem?

 

Lembra de que enquanto durou,
Ela foi sua, e não de quem lhe causou.
Ter raiva de alguém é guardar algo do outro em si.
Eu sei que tem coisa difícil de engolir, até a gente perceber que os desaforos dos outros, também são deles, então, é com eles que vão ficar, Porque pra minha casa eu não vou mais levar.
Quantas vezes eu devolvi a grosseria para vencer a discussão,
Mas diante do espelho me sentia derrotado, por ter perdido a razão
É como se a gente fosse uma árvore que se alimenta do próprio fruto,
Mas também é responsável pela sombra que reflete diante da luz do outro.
Hoje em dia o meu ciclo é assim: Eu só recebo o que daria para mim,
Por isso eu estou aprendendo a supostamente perder por um momento para certamente vencer o arrependimento.
Eu sou aquele cara que esfria a cabeça e percebe que não devia ter falado, por saber que melhor maneira de encerrar uma briga é não ter nem começado, para não ficar abraçado ao passado,
Por não ter dado o braço a torcer.
Chega uma idade em que querer ser o dono da verdade é não ter amadurecido.
E só ter escolhido envelhecer.
Estar certo não é ter que provar que o outro está errado.
Pra mim ainda é complicado, mas a cada briga eu percebia que essa tal de valentia é questão de inteligência, enquanto o valente se debatia ensinava paciência.
Aquele que nos joga pedra está tentando agredir para dividir a ferida que carrega .
Quanto mais a gente entende isso mais se cura da própria dor.
É isso: aquele que não devolve na mesma moeda é porque sabe o seu valor.



Recebido pelo WhatasApp - sem identificação da autoria

sexta-feira, 8 de janeiro de 2021

Gratidão x Ingratidão



Um famoso escritor estava em sua sala de estudo. Pegou a caneta e começou a escrever:
No ano passado precisei fazer uma cirurgia para a retirada da vesícula biliar. Tive que ficar de cama por um bom tempo.
Nesse mesmo ano, cheguei a idade de 60 anos e tive que renunciar ao meu trabalho favorito. Havia permanecido 30 anos naquele editorial.
No mesmo ano, experimentei a dor pela morte de meu pai e meu filho fracassou em seu exame médico porque teve um acidente de automóvel e ficou hospitalizado por vários dias. A destruição do carro foi outra perda.
Ao final escreveu:

“FOI UM ANO MUITO MAU!”

Quando a esposa do escritor entrou na sala, o encontrou triste em meio aos seus pensamentos. Por trás dele, leu o que estava escrito no papel.
Saiu da sala em silêncio e voltou com outro papel que colocou ao lado do papel de seu marido.
Quando o escritor viu o papel, encontrou escrito o seguinte:

No ano passado finalmente me desfiz de minha vesícula biliar, depois de passar anos com dor.
Completei 60 anos com boa saúde e me retirei do meu trabalho. Agora posso utilizar meu tempo para escrever com maior paz e tranquilidade.
No mesmo ano, meu pai, com a idade de 95 anos, sem depender de nada e sem nenhuma condição crítica, conheceu seu Criador.
No mesmo ano, Deus abençoou o meu filho com uma nova oportunidade de vida. Meu carro foi destruído, mas meu filho ficou vivo sem nenhuma sequela.
Ao final, ela escreveu:

“ESSE ANO FOI UMA GRANDE BENÇÃO!”


Eram os mesmos acontecimentos, mas com pontos de vista diferentes.
Se refletirmos bem, temos inúmeras razões para ser gratos a Deus.
Não é a FELICIDADE que nos torna GRATOS, mas, sim, a GRATIDÃO que nos faz FELIZES!
Sempre há algo para agradecer!
Você escolhe como escrever sua história!




                                                                                    (Desconheço a autoria)

quarta-feira, 30 de dezembro de 2020

Dentro e Fora


(  Um poema pra todas mulheres  que são  assim! )

 

"Por fora tenho tantos anos, que você nem acredita...

Por dentro, doze ou menos, e me acho mais bonita!..

Por fora, óculos, rugas, gordurinhas, prata nos tintos cabelos...

Por dentro sou dourada, imaculada, corpo de modelo!

Por fora, em aluviões, batem paixões contra o peito...

Paixões por versos, pinturas, filosofia e amigos sem despeito...

Por dentro, sei me cuidar, vivo a brincar, meio sem jeito!...

Não me derrota a tristeza, não me oprime a saudade, não me demoro padecente...

E é por viver contente, que concluo, sem demora:

É a menina que vive por dentro, que alegra a mulher de fora!"


                                                                       (Luan Jessan)

Quando pedires alguma coisa a Dezembro...


"Quando pedires alguma coisa a Dezembro, pede que te traga presentes que não se vendem em lojas: um 'gosto muito de ti', um 'obrigada por existires', um 'estou aqui para ti, sempre'.

Quando pedires alguma coisa a Dezembro, pede que te traga de presente abraços apertados, gargalhadas altas, colo de quem mais amas, mãos dadas o ano inteiro, ombros que te seguram, corações onde podes morar sem prazo de validade.

Quando pedires alguma coisa a Dezembro, pede que te traga de presente olhos que brilham por ti e para ti, palavras que te protegem e cuidam como sol em dias frios, os pequenos nadas que valem tudo na vida, o essencial que ocupa, sem pesar, o lado esquerdo do peito, e o fermento da alegria que faz a vida valer a pena.

Quando pedires alguma coisa a Dezembro, pede que te ensine a viver de peito aberto e a acreditar - sem mas - que há uma luz ao fundo do túnel para cada escuridão que tiveres de enfrentar."

                                                                        (Desconheço a Autoria)

segunda-feira, 30 de novembro de 2020

SENSACIONAL ESSA COISA!

Não sei quem é o autor dessa “coisa” mas que é legal é!!!


A palavra "coisa" é um bombril do idioma. Tem mil e uma utilidades.

É aquele tipo de termo-muleta ao qual a gente recorre sempre que nos faltam 

palavras para exprimir uma idéia. 

"Coisas" do português.

Gramaticalmente, "coisa" pode ser substantivo, adjetivo, advérbio.

Também pode ser verbo: o Houaiss registra a forma "coisificar".

E no Nordeste há "coisar": Ô, seu "coisinha", você já "coisou" aquela 

coisa que eu mandei você "coisar"?

Na Paraíba e em Pernambuco, "coisa" também é cigarro de maconha.

Em Olinda, o bloco carnavalesco Segura a Coisa tem um baseado como símbolo

em seu estandarte. Alceu Valença canta: Segura a "coisa" com muito

cuidado / Que eu chego já."

Já em Minas Gerais , todas as coisas são chamadas de trem. (menos o trem,

que lá é chamado de "coisa"). A mãe está com a filha na estação, o trem se

aproxima e ela diz: "Minha filha, pega os trem que lá vem a "coisa"!.

E, no Rio de Janeiro?

Olha que "coisa" mais linda, mais cheia de graça...

A garota de Ipanema era coisa de fechar o trânsito!

Mas se ela voltar, se ela voltar, que "coisa" linda, que "coisa" louca.

Coisas de Jobim e de Vinicius, que sabiam das coisas.

Coisa não tem sexo: pode ser masculino ou feminino.

Coisa-ruim é o capeta. Coisa boa é a Juliana Paes. Nunca vi coisa assim!

Coisa também não tem tamanho.

Na boca dos exagerados, "coisa nenhuma" vira um monte de coisas...

Mas a "coisa" tem história mesmo é na MPB.

No II Festival da Música Popular Brasileira, em 1966, a coisa estava na letra

das duas vencedoras: Disparada, de Geraldo Vandré: Prepare seu coração

pras "coisas" que eu vou contar..., e A Banda, de Chico Buarque: pra ver a banda passar,

cantando "coisas" de amor...

Naquele ano do festival, no entanto, a coisa tava preta (ou melhor, verde-oliva).

E a turma da Jovem Guarda não tava nem aí com as coisas:

"coisa" linda, "coisa" que eu adoro!

Para Maria Bethânia, o diminutivo de coisa é uma questão de quantidade

afinal, são tantas "coisinhas" miúdas.

E esse papo já tá qualquer "coisa". Já qualquer "coisa" doida dentro mexe...

Essa coisa doida é um trecho da música "Qualquer Coisa", de Caetano,

que também canta: alguma "coisa" está fora da ordem! e o famoso hino a São Paulo: "alguma coisa acontece no meu coração"!

Por essas e por outras, é preciso colocar cada coisa no devido lugar.

Uma coisa de cada vez, é claro, afinal, uma coisa é uma coisa; outra coisa é outra coisa.

E tal e coisa, e coisa e tal.

Um cara cheio de coisas é o indivíduo chato, pleno de não-me-toques.

Já uma cara cheio das coisas, vive dando risada. Gente fina é outra coisa.

Para o pobre, a coisa está sempre feia: o salário-mínimo não dá pra coisa nenhuma.

A coisa pública não funciona no Brasil. Político, quando está na oposição, é uma coisa,

mas, quando assume o poder, a coisa muda de figura.

Quando elege seu candidato de confiança, o eleitor pensa: Agora a "coisa" vai...

Coisa nenhuma! A coisa fica na mesma.

Uma coisa é falar; outra é fazer. Coisa feia! O eleitor já está cheio dessas coisas!

Se as pessoas foram feitas para ser amadas e as coisas, para serem usadas,

por que então nós amamos tanto as coisas e usamos tanto as pessoas?

Bote uma coisa na cabeça: as melhores coisas da vida não são coisas.

Há coisas que o dinheiro não compra: paz, saúde, alegria e outras cositas más.

Mas, deixemos de "coisa", cuidemos da vida, senão chega a morte, ou "coisa"

parecida... Por isso, faça a coisa certa e não esqueça o grande mandamento:

"AMARÁS A DEUS SOBRE TODAS AS "COISAS"."

Entendeu o espírito da coisa?