quinta-feira, 13 de junho de 2024

TRAGÉDIAS DE ANTIGAMENTE



1. Quando as fichas acabavam no meio da ligação feita do orelhão.
2. A agulha riscava o LP ( Long Play) bem na melhor música.
3. Você datilografava errado as duas últimas palavras da página e não tinha fita corretiva de  para consertar os erros datilográficos.
4 A fita do Atari (vídeo games) não funcionava nem depois de você assoprar.
5. O locutor falava as horas ou soltava uma vinheta bem no meio da música que você havia passado horas esperando pra gravar na fita K7 e depois o toca-fitas mastigava a fita K7.
6. O locutor não falava o nome da música quando ela terminava e você ficava meses sem saber quem cantava ou como chamava aquela música que você tinha amado.
7. Era comum se fumar dentro dos ônibus mesmo com aviso de Proibido Fumar.
8. Você tinha que pagar multa ao devolver a fita de vídeo VHS para a locadora se não estivesse rebobinada.
9. O K-Suco vazava da garrafinha da sua lancheira e molhava as bisnaguinhas com patê.
10. Quando as pilhas descarregavam, as colocavam no congelador tentando conseguir uma recargazinha para voltar a usa-las. 
11. Se copiava as letras das músicas em inglês tudo errado depois descobria, no folheto da Fisk, que estava tudo errado mesmo, mas já era tarde, pois você já tinha decorado errado (e canta errado até hoje).
12. Mesmo riscando com todo cuidado, quando levantava o papel via que o bichinho do decalque do Chiclete Ploc tinha saído sem uma perninha.
13. A televisão resolvia sair do ar no dia do último capítulo da novela e seu pai tinha que subir no telhado pra mexer na antena. Ele gritava lá de cima “melhorou?” e você, embaixo, respondia: “melhorou o 5, o 7 e o 9. Piorou o 4, o 11 e o 13”. Nunca os canais ficavam todos bons ao mesmo tempo.
14. Chegar à padaria e lembrar que você tinha esquecido o “casco” ( vasilhame) do refrigerante.
15. Você descobria que todas as 36 fotos do seu aniversário tinham ficado desfocadas e algumas tinham queimado, porque o rebobinador da câmera estava meio enguiçado.
16. Sempre sobrava só o lápis branco da caixa de 36 cores.
17. Você pensava que ia morrer porque engoliu uma bala Soft.


Fomos uma geração escolhida a dedo, para vivermos uma era abençoada e feliz!                  E nem faz tanto tempo assim (35 a 40 anos),






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sexta-feira, 24 de maio de 2024

Transa Gramatical

 

Era a terceira vez que aquele substantivo e aquele artigo se encontravam no elevador. Um substantivo masculino, com um aspecto plural, com alguns anos bem vividos pelas preposições da vida. E o artigo era bem definido, feminino, singular: era ainda novinha, mas com um  maravilhoso predicado nominal. Era ingênua, silábica, um pouco átona, até ao contrário dele: um sujeito oculto, com todos os vícios de linguagem, fanáticos por leituras e filmes ortográficos. O substantivo gostou dessa situação: os dois sozinhos, num lugar sem ninguém ver e ouvir. E sem perder essa oportunidade, começou a se insinuar, a perguntar, a conversar.

O artigo feminino deixou as reticências de lado, e permitiu esse pequeno índice. De repente, o elevador pára, só com os dois lá dentro: ótimo, pensou o substantivo, mais um bom motivo para provocar alguns sinônimos.

Pouco tempo depois, já estavam bem entre parênteses, quando o elevador recomeça a se movimentar: só que em vez de descer, sobe e para justamente no andar do substantivo.

Ele usou de toda a sua flexão verbal, e entrou com ela em seu aposto. Ligou o fonema, e ficaram alguns instantes em silêncio, ouvindo uma fonética clássica, bem suave e gostosa. Prepararam uma sintaxe dupla para ele e um hiato com gelo para ela. Ficaram conversando, sentados num vocativo, quando ele começou outra vez a se insinuar. Ela foi deixando, ele foi usando seu forte adjunto adverbial, e rapidamente chegaram a um imperativo, todos os vocábulos diziam que iriam terminar num transitivo direto.  

Começaram a se aproximar, ela tremendo de vocabulário, e ele sentindo seu ditongo crescente: se abraçaram, numa pontuação tão minúscula, que nem um período simples passaria entre os dois. Estavam nessa ênclise quando ela confessou que ainda era vírgula; ele não perdeu o ritmo e sugeriu uma ou outra soletrada em seu apóstrofo.

É claro que ela se deixou levar por essas palavras, estava totalmente oxítona às vontades dele, e foram para o comum de dois gêneros. Ela totalmente voz passiva, ele voz ativa. Entre beijos, carícias, parônimos e substantivos, ele foi avançando cada vez mais: ficaram uns minutos nessa próclise, e ele, com todo o seu predicativo do objeto, ia tomando conta.

Estavam na posição de primeira e segunda pessoa do singular, ela era um perfeito agente da passiva, ele todo paroxítono, sentindo o pronome do seu grande travessão forçando aquele hífen ainda singular. Nisso a porta abriu repentinamente.

Era o verbo auxiliar do edifício. Ele tinha percebido tudo, e entrou dando conjunções e adjetivos nos dois, que se encolheram gramaticalmente, cheios de preposições, locuções e exclamativas. Mas ao ver aquele corpo jovem, numa acentuação tônica, ou melhor, subtônica, o verbo auxiliar diminuiu seus advérbios e declarou o seu particípio na história. Os dois se olharam, e viram que isso era melhor do que uma metáfora por todo o edifício. O verbo auxiliar se entusiasmou e mostrou o seu adjunto adnominal. Que loucura, minha gente. Aquilo não era nem comparativo: era um superlativo absoluto.

Foi se aproximando dos dois, com aquela coisa maiúscula, com aquele predicativo do sujeito apontado para seus objetos. Foi chegando cada vez mais perto, comparando o ditongo do substantivo ao seu tritongo, propondo claramente uma mesóclise-a-trois. Só que as condições eram estas: enquanto abusava de um ditongo nasal, penetraria ao gerúndio do substantivo, e culminaria com um complemento verbal no artigo feminino.

O substantivo, vendo que poderia se transformar num artigo indefinido depois dessa, pensando em seu infinitivo, resolveu colocar um ponto final na história: agarrou o verbo auxiliar pelo seu conectivo, jogou-o pela janela e voltou ao seu trema, cada vez mais fiel à língua portuguesa, com o artigo feminino colocado em conjunção coordenativa conclusiva.


Nota do Blog:  Recebi este texto como tendo sido uma redação feita por uma aluna do curso de Letras, da UFPE Universidade Federal de Pernambuco - (Recife), que venceu um concurso interno promovido pelo professor titular da cadeira de Gramática Portuguesa sem informações da data e nem do nome da autora (que neurônios privilegiados).Caso consiga descobrir,  atualizarei esta postagem.  

 

Decifra-me ou Devoro-te

 


Diz uma antiga lenda grega que a deusa Hera enviou a Esfinge (uma besta com cabeça de mulher, asas e corpo de animal) para atormentar os moradores da cidade de Tebas. A Esfinge cruzava o caminho de todos os que se aproximavam da cidade e formulava um enigma para o viajante. Quem errava o enigma era devorado pelo monstro. Um dia, Édipo cruzou com a Esfinge, que lhe propôs o seguinte enigma: “O que durante a manhã tem quatro pernas, ao meio-dia tem duas e à noite tem três?” Édipo respondeu corretamente e a Esfinge ficou tão furiosa que se lançou num precipício. Graças à façanha de derrotar a Esfinge, Édipo tornou-se rei de Tebas e ganhou a mão da rainha enviuvada, sua própria mãe.

Mas e se você estivesse no lugar de Édipos, o que você responderia? O enigma é: “O que durante a manhã tem quatro pernas, ao meio-dia tem duas e à noite tem três?“.



Resposta O homem!  No início da vida (manhã) ele "engatinha" ( tem quatro pernas) no decorrer da vida ( meio-dia), anda normalmente com suas duas pernas e na velhice ( à noite) tem três pernas ( usa bengala)!



terça-feira, 30 de abril de 2024

O engano do Psicólogo

 

Certa vez um psicólogo
Atendeu um cidadão
Se dizendo acometido
De uma grande depressão.
Cabisbaixo, pessimista,
Conta ao especialista
A sua situação.
 
- Doutor, não estou prestando
Pra mais nada nesta vida.
Tudo pra mim é tristeza.
A minha única saída
É o cigarro, eu assumo.
Em poucas horas eu fumo
Não sei quantos em seguida.
 
O psicólogo falou:
- Seu estresse é violento.
Você tome esses remédios,
Mas pra ficar cem por cento,
Eu não lhe engano, porque,
Depende mais de você
Do que do medicamento.
 
- Onde tiver uma festa
Vá pra ver se muda o clima.
Quem sabe você por lá
Não se distrai, não se anima...
E volta a ser o que era.
Aí você recupera
Toda a sua autoestima.
 
- Inclusive estou sabendo
Que está aqui na cidade
Um circo cujo espetáculo
É de ótima qualidade.
Você deveria ir,
Que além de se divertir
Sai da ociosidade.
 
- Tem o palhaço Biriba,
O melhor da companhia.
Vá assisti-lo de perto,
Veja quanta simpatia
Em cima do picadeiro,
Transformando o circo inteiro
Em um mundo de alegria.
 
- Vá com a sua família,
Convide os seus camaradas.
Vá ver Biriba contando
Engraçadíssimas piadas,
Que mesmo assim depressivo
Você vai achar motivo
Pra dar boas gargalhadas.
 
- Doutor, o senhor não sabe
O que foi que aconteceu!
Com todos estes conselhos,
Que agora o senhor me deu,
Aumentou minha tortura...
Doutor, meu mal não tem cura
Pois o palhaço sou eu.




Autor: Jorge Macêdo - Repentista, Cordelista, Declamador e Compositor Cearense.

A vida precisa do vazio


A lagarta dorme num vazio chamado casulo até se transformar em borboleta.
A música precisa de um vazio chamado silêncio para ser ouvida.
Um poema precisa do vazio da folha de papel em branco para ser escrito.
E as pessoas, para serem belas e amadas, precisam ter um vazio dentro delas.
Muitos acham o contrário; pensa que o bom é ser cheio.
Essas são as pessoas que se acham cheias de verdades e sabedoria e falam sem parar.
São chatas, quando não são autoritárias.
Bonitas são as pessoas que falam pouco e sabem escutar.
A essas pessoas é fácil amar.
Elas estão cheias de vazio.
E é no vazio da distância que vive a saudade.




(Desconheço a Autoria)

domingo, 17 de março de 2024

Celebração da Vida

Será que a despedida final precisa ser sempre triste e solitária?

Quem já se despediu de um amor, de alguém muito querido, certamente irá dizer que é uma situação muito difícil.

Dependendo do gênero de morte, o instante do adeus se reveste de um ar de tristeza indescritível.

Alguns nunca superam essa experiência, chegando a carregar aquele sentimento em forma de trauma por toda sua vida.

Que tal pararmos para pensar: Precisa ser assim?

Isso está tão arraigado em nossas crenças pessoais e também em nossa cultura que nem sequer pensamos que possam haver outros caminhos, outras formas de encarar esse momento.

No México, por exemplo, o momento da partida é visto como uma libertação de tudo aquilo que não é relevante na vida, uma desconexão das vaidades e das futilidades.

Os cortejos fúnebres são repletos de homenagens a quem está partindo, celebrações com música e comida.

Sem dúvida, existe a tristeza e a saudade, mas outros sentimentos despontam.

Essa forma diferente de encarar a morte é vista também no Dia de los muertos mexicano, talvez a festa mais famosa dessa cultura. Um dia para lembrar com saudade e alegria todos que partiram.

Em muitas comunidades na África, o funeral é uma cerimônia tão importante quanto um casamento.

Entende-se que, quando alguém morre, a coletividade sente o luto. Então, divide a tristeza com a família do morto.

Pelo continente africano, encontramos velórios que atraem centenas e até milhares de pessoas em cerimônias, que chegam a durar uma semana.

Familiares, vizinhos e até estranhos se juntam à celebração.

Não há um convite oficial. Ao receberem a notícia da morte, os que moram perto aparecem para prestar apoio à família, trazer doações e ajudar os enlutados com a enorme lista de afazeres dos funerais.

Com esses exemplos, o que será que poderíamos fazer para começar a mudar um pouco as nossas tradições, por vezes, ainda tão sombrias e solitárias?

Se já entendemos que ninguém morre de verdade, que estamos passando por um momento de transição, o final de um ciclo e início de outro, devemos ser os primeiros a alterar nossa maneira de agir.

Será que, por vezes, não estamos mais voltados à tristeza dos que ficam do que à nova realidade dos que partem?

Para quem são os velórios e os funerais?

Homenagens são tão belas. Deixar que as pessoas falem, lembrem, abram seus corações.

Deixar que o Espírito que está ali, em processo de desencarnação, receba todo esse carinho num momento tão importante.

Poderá ainda estar fragilizado, o que é natural. Ou talvez desorientado, precisando de consolo e entendimento.

Eis a nossa chance de amar até os últimos instantes aquele cujo ciclo se findou.

Lembremos: finaliza-se um capítulo, uma história, um nome, um rosto. A alma segue igual, carregando tudo que viveu conosco.

Os funerais devem se tornar uma celebração da vida. A vida que deixa o corpo que o Espírito habitara temporariamente, e retorna ao verdadeiro lar para seguir adiante...

Apenas para seguir adiante.


Fonte:  
http://momento.com.br/pt/ler_texto.php?id=7053&stat=0 
Redação do Momento Espírita
Em 13.3.2024.


Carpe Diem (Aproveite o dia)

Carpe Diem é uma frase em latim de um poema de Horácio, e é popularmente traduzida para “colha o dia” ou “aproveite o momento”. É também utilizada como uma expressão para solicitar que se evite gastar o tempo com coisas inúteis ou como uma justificativa para o prazer imediato, sem medo do futuro.

Vindo da decadência do império Romano o termo Carpe diem era dito para retratar o “cada um por si”, devido ao império estar se desfazendo, naquele momento a visão de que cada dia poderia ser realmente o último era retratado pela frase que hoje é utilizada como uma coisa boa, porém sua origem vem do desespero da destruição de um grande império antigo.

No filme “A Sociedade dos Poetas Mortos”, o personagem de Robin Williams, Professor Keating, utiliza-a assim:

“Mas se você escutar bem de perto, você pode ouvi-los sussurrar o seu legado. Vá em frente, abaixe-se. Escute, está ouvindo? – Carpe – ouve? – Carpe, carpe diem, colham o dia garotos, tornem extraordinárias as suas vidas.”

O poema relacionado à ideia de Carpe Diem, de autoria de Walt Whitman, utilizado como mote no filme:

Aproveita o dia
(Walt Whitman)

Aproveita o dia,
Não deixes que termine sem teres crescido um pouco.
Sem teres sido feliz, sem teres alimentado teus sonhos.
Não te deixes vencer pelo desalento.
Não permitas que alguém te negue o direito de expressar-te, que é quase um dever.
Não abandones tua ânsia de fazer de tua vida algo extraordinário.
Não deixes de crer que as palavras e as poesias sim podem mudar o mundo.
Porque passe o que passar, nossa essência continuará intacta.
Somos seres humanos cheios de paixão.
A vida é deserto e oásis.
Nos derruba, nos lastima, nos ensina, nos converte em protagonistas de nossa própria história.
Ainda que o vento sopre contra, a poderosa obra continua, tu podes trocar uma estrofe.
Não deixes nunca de sonhar, porque só nos sonhos pode ser livre o homem.
Não caias no pior dos erros: o silêncio.
A maioria vive num silêncio espantoso. Não te resignes, e nem fujas.
Valorize a beleza das coisas simples, se pode fazer poesia bela, sobre as pequenas coisas.
Não atraiçoes tuas crenças.
Todos necessitamos de aceitação, mas não podemos remar contra nós mesmos.
Isso transforma a vida em um inferno.
Desfruta o pânico que provoca ter a vida toda a diante.
Procures vivê-la intensamente sem mediocridades.
Pensa que em ti está o futuro, e encara a tarefa com orgulho e sem medo.
Aprendes com quem pode ensinar-te as experiências daqueles que nos precederam.
Não permitas que a vida se passe sem teres vivido…

                                      *      *      *

Walter Whitman
(1819 – 1892) foi um jornalista, ensaísta e poeta americano considerado o “pai do verso livre” e o grande poeta da revolução americana.

Fonte: https://www.folhavitoria.com.br/economia/blogs/gestaoeresultados/2019/07/28/carpe-diem-o-momento-e-agora-aproveite-o-dia/