quarta-feira, 25 de junho de 2025

Não canse quem te quer bem



Foi durante o programa Saia Justa que a atriz Camila Morgado, discutindo sobre a chatice dos outros (e a nossa própria), lançou a frase: “Não canse quem te quer bem”. Diz ela que ouviu isso em algum lugar, mas enquanto não consegue lembrar a fonte, dou a ela a posse provisória desse achado.

Não canse quem te quer bem. Ah, se conseguíssemos manter sob controle nosso ímpeto de apoquentar. Mas não. Uns mais, outros menos, todos passam do limite na arte de encher os tubos. Ou contando uma história que não acaba nunca, ou pior: contando uma história que não acaba nunca cujos protagonistas ninguém jamais ouviu falar. Deveria ser crime inafiançável ficar contando longos casos sobre gente que não conhecemos e por quem não temos o menor interesse. Se for história de doença, então, cadeira elétrica.

Não canse quem te quer bem. Evite repetir sempre a mesma queixa. Desabafar com amigos, ok. Pedir conselho, ok também, é uma demonstração de carinho e confiança. Agora, ficar anos alugando os ouvidos alheios com as mesmas reclamações, dá licença. Troque o disco. Seus amigos gostam tanto de você, merecem saber que você é capaz de diversificar suas lamúrias.

Não canse quem te quer bem. Garçons foram treinados para te querer bem. Então não peça para trocar todos os ingredientes do risoto que você solicitou – escolha uma pizza e fim.

Seu namorado te quer muito bem. Não o obrigue a esperar pelos 20 vestidos que você vai experimentar antes de sair – pense antes no que vai usar. E discutir a relação, só uma vez por ano, se não houver outra saída.

Sua namorada também te quer muito bem. Não a amole pedindo para ela explicar de onde conhece aquele rapaz que cumprimentou na saída do cinema. Ciúme toda hora, por qualquer bobagem, é esgotante.

Não canse quem te quer bem. Não peça dinheiro emprestado pra quem vai ficar constrangido em negar. Não exija uma dedicatória especial só porque você é parente do autor do livro. E não exagere ao mostrar fotografias. Se o local que você visitou é realmente incrível, mostre três, quatro no máximo. Na verdade, fotografia a gente só mostra pra mãe e para aqueles que também aparecem na foto.

Não canse quem te quer bem. Não faça seus filhos demonstrarem dotes artísticos (cantar, dançar, tocar violão) na frente das visitas. Por amor a eles e pelas visitas.

Implicâncias quase sempre são demonstrações de afeto. Você não implica com quem te esnoba, apenas com quem possui laços fraternos. Se um amigo é barrigudo, será sobre a barriga dele que faremos piada. Se temos uma amiga que sempre chega atrasada, o atraso dela será brindado com sarcasmo. Se nosso filho é cabeludo, “quando é que tu vai cortar esse cabelo, garoto?” será a pergunta que faremos de segunda a domingo. Implicar é uma maneira de confirmar a intimidade. Mas os íntimos poderiam se elogiar, pra variar.

Não canse quem te quer bem. Se não consegue resistir a dar uma chateada, seja mala com pessoas que não te conhecem. Só esses poderão se afastar, cortar o assunto, te dar um chega pra lá. Quem te quer bem vai te ouvir até o fim e ainda vai fazer de conta que está se divertindo. Coitado. Prive‐o desse infortúnio. Ele não tem culpa de gostar de você.

(Martha Medeiros – Zero Hora – 22 de janeiro de 2012.)

terça-feira, 27 de maio de 2025

A velhice não aceita despreparo






A velhice não aceita despreparo.
Ela não chega com delicadeza… e quem a espera de mãos vazias, sente o peso da dependência.
Prepare-se. Tenha algo guardado, um teto seguro, um carro à disposição.

Mas acima de tudo: que tudo isso seja seu.
Porque envelhecer com dignidade exige autonomia.
Não reescreva seus bens. Não confie cegamente que alguém cuidará de você como você cuida de si.
Seja leve: menos posses, mais paz.
Quanto mais coisas você tem, mais elas te exigem… e, se não perceber, passam a te possuir.
A arte de viver é uma habilidade rara.
É saber dormir profundamente, comer com prazer, rir com liberdade — e não se deixar consumir pelas preocupações.
Lembre-se: neste mundo, nada é realmente nosso.
E quanto menos pertencermos às coisas, mais livres seremos por dentro.
A verdadeira prisão é a do apego.
E a liberdade começa quando aprendemos a viver com o essencial.





Robert |De Niro - Ator, produtor e cineasta ítalo-americano. 

 

 

domingo, 4 de maio de 2025

ORGULHOSA


Este é um poema de rara beleza, escrito no século Dezenove . Muitos dos sessentões de hoje tem sempre uma história para contar sobre este poema. Ou que ouvia dos avós, ou que o declamava nos concursos de poesia da escola ou que declamou para uma pessoa amada... Como um saudosista crônico, icorrigível e irrecuperável, fui resgata-lo. Nas pesquisas que fiz na internet não há um consenso quanto ao seu verdadeiro autor. Ora é atribuído ao baiano Castro Alves, ora ao seu conterrâneo Trasíbulo Ferraz Moreira e há quem assegure que não é de nenhum dos dois e sim do Maranhense Gonçalves Dias. Há também pequenas variações entre as versões atribuídas a cada um deles. Optei por uma que presumo ser mais próxima do original para apresenta-la a quem não o conhece e aos que o conhece, dar uma oportunidade de viajar no tempo.

Deixa-te disso, criança
Deixa de orgulho, sossega
Olha que a vida é um oceano
Por onde o acaso navega.

Hoje tu ostentas nas salas
As tuas pompas e galas
Os teus brasões de rainha
Amanhã, talvez, quem sabe?
Todo esse orgulho se acabe
Sendo-te a sorte mesquinha.

Deixa-te disso, olha bem
A sorte dá nega e vira
Sangue azul, em vós, fidalgos
Já neste século é mentira

Todos nós somos iguais
Os grandes, os imortais
Foram plebeus como sou
E ouve mais esta lição
Grande foi Napoleão
Grande foi Victor Hugo

Que valem nobres famílias
Linhagens puras de avós
Se o sangue dos reis é o mesmo
É o mesmo que corre em nós?

O que é belo, e sempre novo
É ver um filho do povo
Saber lutar e subir
De braços dados com a glória
Para o panteão da história
E as gerações do porvir.

De que te vale o que tens
Se não me podes comprar
Ainda que possuísses
Todas as pérolas do mar?

És fidalga, eu sou poeta!
Tens dinheiro? Eu, a completa
Riqueza no coração
Não troco uma estrofe minha
Por um colar de rainha
Ou troféus de latão.

Ainda há pouco, pedi-te
Para comigo valsar
Disseste és plebeu, és pobre
Não me quiseste aceitar.

E, no entanto, ignoras
Que aquele a quem mais adoras
Que te conquista e seduz
Embora seja da nata
Em mera figura chata
És fósforo que não dá luz.

Agora, sim, já é tempo
De dizer-te quem sou eu
Um jovem de vinte anos
Que se orgulha em ser plebeu.

Um lutador que não cansa
E que ainda tem esperança
De ser mais do que hoje é
Que luta pelo direito
Pra esmagar o preconceito
Da fidalguia sem fé.

Por isso, guardo me olhas
Com desdém e insensatez
Rio-me tanto de ti
Chego a chorar muita vez.

Chorar, sim, porque calculo
Nada pode haver mais nulo
Mais degradante e sem sal
Que uma mulher presumida
Toda, vaidosa, atrevida
Soberba, inculta e banal.





domingo, 27 de abril de 2025

A HISTÓRIA DOS DOIS SAPOS E UM POÇO FUNDO


Um grupo de sapos estava viajando pela floresta quando dois deles caíram em um poço fundo. Os outros sapos olharam para baixo e disseram:

- “É impossível sair daí.”

- “Parem de tentar, vocês vão morrer.”

Um dos sapos, ao ouvir essas palavras desmotivadoras, desistiu. Ficou fraco, perdeu as forças… e morreu.

O outro sapo, no entanto, continuou pulando com todas as suas forças. Os sapos do lado de fora gritavam para ele desistir, mas, surpreendentemente, isso parecia motivá-lo ainda mais! Até que… ele conseguiu sair do poço!

Os outros sapos ficaram chocados:

- “Você não ouviu o que dissemos?”

O sapo então respondeu:

- “Eu sou surdo. Pensei que vocês estavam me incentivando a sair.”

❇️Moral da história: Cuidado com as palavras que você escuta e as que você diz. Elas podem levantar ou destruir alguém. Se for para falar, que seja para encorajar.

E lembre-se: 

Seja sempre alguém que alguém quer ter por perto!


                                                       ( Desconheço a autoria)

domingo, 16 de março de 2025

Conversa de Botas Batidas

 

As letras e canções dos Los Hermanos marcaram toda uma geração com suas letras fortes e, ao mesmo tempo, sensíveis. Conversa de Botas Batidas, canção inspirada em uma história real, foi escrita por Marcelo Camelo e relata o diálogo de um casal que cansou de se esconder.

Contudo, apesar de ter sido inspirada em um casal de amantes, o fim da história é triste, pois se baseia em um acidente ocorrido no Rio de Janeiro, em 2002, quando o hotel Linda do Rosário desabou. Dias depois, a equipe de bombeiros encontrou os dois corpos abraçados no meio dos escombros.

Vamos conhecer melhor essa história?
História da música Conversa de Botas Batidas

A música Conversa de Botas Batidas faz parte do terceiro álbum dos Los Hermanos, Ventutra,  lançado em 2003. Para contar a história que deu origem à canção, precisamos voltar ao ano de 2002, quando o Hotel Linda do Rosário, localizado no Rio de Janeiro, desabou.

No dia 25 de setembro, o porteiro do prédio, Raimundo Barbosa de Melo, ouviu alguns estalos e começou a avisar as pessoas que estavam dentro do hotel para que saíssem a tempo em segurança. O porteiro, ao descer as escadas, se recordou do casal e foi até o quarto bater na porta. Porém, ninguém respondeu. Ele decidiu insistir mais uma vez e foi até a portaria interfonar para o quarto. Novamente, não obteve resposta.

Naquele dia, por volta das 15h15, o prédio desabou.

Depois de dois dias, os corpos do casal foram encontrados em meio aos escombros e, para a surpresa da equipe, eles estavam abraçados e deitados no que restou da cama.

Mais tarde, descobriram que a mulher era uma bancária de 47 anos e o homem era um professor de 71 anos. A história conta que eles tinham vivido um amor na juventude, mas acabaram se separando. Anos depois, se reencontraram e decidiram viver um romance escondido mesmo ambos sendo viúvos. Eles tinham receio de que as famílias não aprovassem a relação.

Não se sabe se eles estavam dormindo no momento, ou se ouviram o chamado para saírem do prédio e escolherem permanecer.

Os corpos do casal foram reconhecidos por seus familiares e o filho do professor chegou a solicitar que o nome do pai não saísse nos jornais para que a imagem dele fosse preservada.

Na letra, Marcelo Camelo imagina um diálogo entre o casal antes da tragédia, como se fosse quase uma despedida de ambos, optando por permanecerem juntos até o final mesmo diante do prenúncio da morte.

Análise da música Conversa de Botas Batidas

Veja, você, onde é que o barco foi desaguar

A gente só queria um amor
Deus parece, às vezes, se esquecer
Ai, não fala isso, por favor
Esse é só o começo do fim da nossa vida
Deixa chegar o sonho, prepara uma avenida
Que a gente vai passar


Conversa de Botas Batidas é um diálogo imaginário a respeito de um casal que está prestes a ver o fim da vida. Na primeira estrofe, vemos o início da conversa feita com construções poéticas a respeito de onde eles chegaram e sobre querer apenas viver um amor. Agora, estão diante de ver o sonho se acabar.

Veja, você, quando é que tudo foi desabar
A gente corre pra se esconder
E se amar, se amar, até o fim
Sem saber que o fim já vai chegar


O casal optou por viver esse romance às escondidas, por isso o verso a gente corre pra se esconder e a ideia de amar sem ter noção do que vai acontecer. O romance está perto do fim.

Deixa o moço bater
Que eu cansei da nossa fuga
Já não vejo motivos
Pra um amor de tantas rugas
Não ter o seu lugar


Na terceira estrofe, Marcelo Camelo constrói lindamente um desfecho imaginário: o casal chegou a ouvir as batidas na porta, porém, cansados de se esconderem e por terem adiado esse amor por tantos anos, eles estão cansados de fugir. Não há mais motivo para isso e um amor velho e cansado precisa finalmente florescer.

Abre a janela agora
Deixa que o Sol te veja
É só lembrar que o amor é tão maior
Que estamos sós no céu
Abre as cortinas pra mim
Que eu não me escondo de ninguém
O amor já desvendou nosso lugar
E agora está de bem


Eles decidem se mostrar depois de tanto se esconderem.

Abrir a janela para deixar que todo o universo veja que esse amor foi vivido. É bobagem não dizer pro mundo que valeu a pena! Não querem mais omitir de ninguém, pois o amor se desvendou e agora tudo está no seu devido lugar.

Diz, quem é maior que o amor?
Me abraça forte agora, que é chegada a nossa hora
Vem, vamos além
Vão dizer que a vida é passageira
Sem notar que a nossa estrela vai cair


Na estrofe final, a letra de Conversa de Botas Batidas nos deixa uma reflexão sobre a grandiosidade do amor. Existe algo maior? O casal escolhe permanecer junto para partir, levando esse amor para além da vida material.

No topo do Hotel Linda do Rosário havia uma estrela bem grande e Marcelo faz essa referência, nos fazendo refletir que passamos a vida sem notar a importância das coisas mais simples.

Muitas vezes, deixamos de lado amores que valem a pena por simples medo de opiniões alheias. Afinal, uma hora a estrela vai cair e o que fica mesmo? Nada além das memórias.
Do underground carioca para o mundo

A banda Los Hermanos foi formada no Rio de Janeiro, em 1997, mais especificamente em meio aos corredores da PUC, onde o vocalista Marcelo Camelo estudava jornalismo. Marcelo decidiu convidar alguns amigos para, juntos, se dedicarem à música, criando letras e harmonias.



Fonte:     https://www.letras.mus.br/blog/conversa-de-botas-batidas-historia/

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2025

Vaidade


Cantor do LS Jack é internado em coma no Rio após lipoaspiração.
É possível isso? É admissível isso? Um rapaz de 27 anos ter uma parada cardíaca e
entrar em coma após uma cirurgia de lipoaspiração? Pelo amor de Deus,
eu não quero usar nada nem ninguém, nem falar do que não sei,
nem procurar culpados, nem acusar ou apontar pessoas, mas ninguém está
percebendo que toda essa busca insana pela estética ideal é muito menos
lipo-as e muito mais piração?
Uma coisa é saúde outra é obsessão. O mundo pirou, enlouqueceu.
Hoje, Deus é a auto imagem.
Religião, é dieta.
Fé, só na estética.
Ritual é malhação.
Amor é cafona,
sinceridade é careta,
pudor é ridículo,
sentimento é bobagem.
Gordura é pecado mortal.
Ruga é contravenção.
Roubar pode, envelhecer, não.
Estria é caso de polícia.
Celulite é falta de educação.
Filho da puta bem sucedido é exemplo de sucesso.
A máxima moderna é uma só: pagando bem, que mal tem?
A sociedade consumidora, a que tem dinheiro, a que produz, não pensa em
mais nada além da imagem, imagem, imagem.
Imagem, estética, medidas, beleza. Nada mais importa.
Não importam os sentimentos, não importa a cultura, a sabedoria, o
relacionamento, a amizade, a ajuda, nada mais importa.
Não importa o outro, ou a volta, o coletivo.
Jovens não tem mais fé, nem idealismo, nem posição política.
Adultos perdem o senso em busca da juventude fabricada.
Ok, eu também quero me sentir bem, quero caber nas roupas, quero ficar
legal, quero caminhar correr, viver muito, ter uma aparência legal mas...
uma sociedade de adolescentes anoréxicas e bulímicas, de jovens
lipoaspirados, turbinados, aos vinte anos não é natural.
Não é, não pode ser.
Deus permita que ele volte do coma sem seqüelas.  Que as pessoas discutam o assunto. Que alguém acorde. Que o mundo mude. Que eu me acalme.
Que o amor sobreviva. "
" Cuide bem do seu amor, seja quem for"

                                                                                  (Herbert Vianna)


Nota deste Blog:

Texto escrito em 2004 quando do procedimento malsucedido em Marcus Menna que o deixou dois meses em coma. Ficou com sequelas na fala, memória e capacidade motora. Ele precisou se afastar dos palcos para se tratar e voltou à carreira musical em 2023 com a turnê " Tudo de Novo"


         

domingo, 5 de janeiro de 2025

CAMINHOS DO TEMPO

 CAMINHOS DO TEMPO

Há um silêncio que chega com os anos, e ele não é feito apenas da ausência de ruídos, mas da transição suave entre o que éramos e o que nos tornamos. 

Aos 60, você começa a sentir a sutileza do distanciamento. A sala que antes pulsava com suas ideias agora parece cheia de vozes que não pedem mais sua opinião. Não é uma rejeição, é o ritmo da vida. É quando aprendemos que nossa contribuição não está no presente imediato, mas nos rastros que deixamos nos corações e mentes ao longo do caminho. 

Aos 65, você percebe que o mundo corporativo, outrora tão vital, é um fluxo incessante. Ele segue, indiferente ao que você fez ou deixou de fazer. Não é uma derrota, é a libertação.

Esse é o momento de olhar para si mesmo, despir-se do ego e vestir a serenidade.

Não se trata mais de provar, mas de ensinar, de compartilhar, de ser mentor. A verdadeira realização não é a que se exibe, mas a que inspira.

Aos 70, a sociedade parece lhe esquecer, mas será mesmo? Talvez seja apenas um convite para reavaliar o que realmente importa. 

Os jovens não o reconhecerão pelo que você foi, e isso é uma bênção disfarçada: você pode agora ser apenas quem você é. Sem máscaras, sem títulos, apenas a essência. 

Os velhos amigos, aqueles que não perguntam “quem você era”, mas “como você está”, tornam-se joias preciosas, diamantes que brilham no crepúsculo da vida.

E então, aos 80 ou 90, é a família que, na sua correria, se afasta um pouco mais.

 Mas é aí que a sabedoria nos abraça com força. Entendemos que amor não é posse; é liberdade.

Seus filhos, seus netos, seguem suas vidas, como você seguiu a sua. A distância física não diminui o afeto, mas ensina que o amor verdadeiro é generoso, não exigente.

Quando a Terra finalmente chamar por você, não há motivo para medo. É a última dança de um ciclo natural, o encerramento de um capítulo escrito com suor, lágrimas, risos e memórias. 

Mas o que fica, o que realmente nunca será eliminado, são as marcas que deixamos nas almas que tocamos.

Portanto, enquanto há fôlego, energia, enquanto o coração bate firme, viva intensamente. 

Abrace os encontros, ria alto, desfrute os prazeres simples e complexos da vida. Cultive suas amizades como quem cuida de um jardim. 

Porque, no final, o que resta não são as conquistas, nem os títulos, nem os aplausos. O que resta são os laços, os momentos partilhados, a luz que espalhamos.

Seja luz, seja presença, e você será eterno.

Dedico a todos que entendem que o tempo não apaga, mas apenas transforma.


                                                 (Crônica criada e escrita por José Luiz Ricchetti - 11/12/24)