quarta-feira, 5 de setembro de 2018

O Valor da tolerância nos relacionamentos





Quando eu ainda era um menino, ocasionalmente, minha mãe gostava de fazer um lanche, tipo café da manhã, na hora do jantar. E eu me lembro especialmente de uma noite, quando ela fez um lanche desses, depois de um dia de trabalho muito duro. Naquela noite, minha mãe pôs um prato de ovos, linguiça e torradas bastante queimadas, defronte ao meu pai.
Eu me lembro de ter esperado um pouco, para ver se alguém notava o fato. Tudo o que meu pai fez foi pegar a sua torrada, sorrir para minha mãe e me perguntar como tinha sido o meu dia na escola.
Eu não me lembro do que respondi, mas me lembro de ter olhado para ele lambuzando a torrada com manteiga e geleia e engolindo cada bocado.
Quando eu deixei a mesa naquela noite, ouvi minha mãe se desculpando por haver queimado a torrada. E eu nunca esquecerei o que ele disse: "Adorei a torrada queimada..."
Mais tarde, naquela noite, quando fui dar um beijo de boa noite em meu pai, eu lhe perguntei se ele tinha realmente gostado da torrada queimada. Ele me envolveu em seus braços e me disse:
"Companheiro, sua mãe teve um dia de trabalho muito pesado e estava realmente cansada... Além disso, uma torrada queimada não faz mal a ninguém. A vida é cheia de imperfeições e as pessoas não são perfeitas. E eu também não sou o melhor marido, empregado, ou cozinheiro, talvez nem o melhor pai, mesmo que tente todos os dias! O que tenho aprendido através dos anos é que saber aceitar as falhas alheias, escolhendo relevar as diferenças entre uns e outros, é uma das chaves mais importantes para criar relacionamentos saudáveis e duradouros. Desde que eu e sua mãe nos unimos, aprendemos, os dois, a suprir as falhas do outro. Eu sei cozinhar muito pouco, mas aprendi a deixar uma panela de alumínio brilhando. Ela não sabe usar a furadeira, mas após minhas reformas, ela faz tudo ficar cheiroso, de tão limpo. Eu não sei fazer uma lasanha como ela, mas ela não sabe assar uma carne como eu. Eu nunca soube fazer você dormir, mas comigo você tomava banho rápido, sem reclamar. A soma de nós dois monta o mundo que você recebeu e que te apoia, eu e ela nos completamos. Nossa família deve aproveitar este nosso universo enquanto temos os dois presentes."
De fato, poderíamos estender esta lição para qualquer tipo de relacionamento: entre marido e mulher, pais e filhos, irmãos, colegas e com amigos.
Então filho, se esforce para ser sempre tolerante, principalmente com quem dedica o precioso tempo da vida, a você e ao próximo.


(Desconheço a autoria)

"Dê a quem você ama, asas para voar, raízes para voltar e motivos para ficar."


(Dalai Lama)

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

O asilo Santo Onofre


               Seu Fernando tem 86 anos. Há oito mora no asilo. Morou os últimos trinta anos de sua vida numa casa simples de dois cômodos que vendeu, com os poucos móveis que possuía quando ficou viúvo. Dividiu o valor para ele e um casal de filhos. Com a parte que lhe coube, calculou que aplicado na poupança, poderia viver confortavelmente dos rendimentos que somados à sua aposentadoria do INSS, conquistada por tempo de serviço como operário de uma indústria metalúrgica, poderia viver tranquilo financeiramente. Apesar de não sofrer de nenhum problema grave de saúde, pensava em reservar tal grana para tratar dela,  pois tinha consciência de que naquela idade os gastos na farmácias ou hospitais, tendem a ser maior que nos supermercados  ou restaurantes.  O corpo já não se move com o mesmo vigor de outrora por isso, anda apoiado numa bengala de madeira,  com o castão em marfinite representando a cabeça de um leão, símbolo do seu time do coração, o Sport Clube do Recife, presente recebido de seu filho a quem na infância o incentivou a ser também  um  rubro-negro.
               A rotina no asilo, as vezes o deixa inquieto,  mal-humorado e irritadiço. Talvez rabugice, ranzinzice da idade.  Não bastasse as frequentes noticias da morte desse ou daquele amigo ou parente, vive resmungando que não suporta mais ouvir histórias, não solicitadas, recheadas de façanhas, ou exemplo de virilidade dos seus colegas de asilo, da época em que eram jovens. Histórias contadas depois do jantar, enquanto aguardam, numa sala de estar,  que o televisor seja ligado para assistirem à novela das oito. Os que não veem novela,  se recolhem aos quartos ou vão  para a varanda jogar conversa fora. Gosta de futebol, mas quase não assiste, haja vista que no horário de transmissão pela televisão ele já está no terceiro sono.
               Durante meus expedientes como voluntário,  nesse estabelecimento, me acostumei a conversar com seu Fernando. Também me acostumei a ouvir pelos corredores, nos dias de visitas, as mais variadas desculpas ou justificativas acerca das razões para as estadas dos idosos naquela instituição:  “meu irmão não quer saber dele e deixou pra mim (sic) cuidar dele sozinho e como eu não tenho tempo...” ;  “ Trabalho o dia todo e mal dou conta de cuidar do meu marido e dos meus dois filhos...”.  Também ouvi certa vez (enquanto aguardava na recepção a autorização para acesso às dependências do asilo) uma garota, vestida num short minúsculo e com uma blusa que aparentava ter sido decotada para ressaltar uma tatuagem abstrata e com um “piercing” no nariz dizer que : “ Se a filha não quer saber dele, eu como neta não vou assumir esse encargo”. Ela conversava com outra visitante, a quem demonstrava alguma intimidade,  ao mesmo tempo em que ajeitava uma sacola de supermercado com alguns produtos de higiene e limpeza que estava  levando para o avô.  Triste ouvir isso! Entendo como uma forma de violência. Li outro dia, em algum lugar que         “Aquele que despreza seus velhos, é como um galho que deixa  o tronco que os sustenta tombar sem apoio e que a ingratidão para com aqueles que nos sustentaram na infância é semente de amargura lançada no solo, para colheita futura”.   Pura verdade.  Abandonar alguém que  ao longo de nossa infância e adolescência, dedicou parte de sua vida, para cuidar dos nossos  ferimentos físicos e emocionais, é uma forma de eutanásia. Talvez a mais dolorosa. A eutanásia sentimental.
                 Nunca procurei saber as razões de seu Fernando ter ido parar ali.  O que me falou certa vez foi que fazia bastante tempo que não recebia visitas e nem noticias de seus filhos.  A ultima noticia que teve do Fernandinho Jr, foi quando recebeu o convite do casamento do neto (filho dele). Faz uns cinco anos. Mandaram entregar no asilo. “ Teria ficado muito feliz se pudesse ter comparecido mas eu não  possuia condições de ir sozinho. Era preciso alguém vir me buscar”. Confessou com certa melancolia. Até alimentou esperança que isso pudesse acontecer. Pediu para comprar uma calça e sapatos novos. Ninguém apareceu. Da filha, só sabe que está no terceiro casamento. “Tem gênio forte. Sempre foi muito autoritária e rebelde.  O primeiro marido não a aguentou”.  Cochicou para mim, colocando a mão direita na lateral da boca, em tom de confidência. Do segundo não sabe porque ela se separou. “Deve ter sido pelo mesmo motivo”, me atrevi a dar esse pitaco. Essa foi a ultima noticia que teve dela,  através do neto de um antigo vizinho, que trabalha como técnico de refrigeração e o reconheceu quando certo dia, esteve no asilo para consertar uma geladeira.
              Domingo passado foi dia dos pais, independente de ser uma data comemorativa, aos  domingos o asilo recebe um numero significativo de familiares. Eu estava de folga mas o vínculo afetivo que estava se formando entre mim e o seu Fernando, me obrigou a ir visita-lo até porque eu sabia que ele se arrumava  todos os domingos mesmo ciente de que não receberia visitas, embora nunca perdeu a esperança de que um dia isso pudesse acontecer. Talvez para ele é uma forma  de mitigar seu sofrimento ou mascarar sua solidão.
            Encontro-o no seu quarto, felicito-o pela data e lhe dou um caloroso abraço, acompanhado de um singelo presente que fiquei sabendo que ele há muito vinha desejando. Um álbum para acondicionar fotografias. Ele precisava organizar algumas fotos. Preservar a memória dos tempos em que era “gente” se maldizia. Retira do guarda roupa, uma surrada pasta tipo 007 onde guarda seus documentos e fotos antigas. Revisita o passado olhando as fotos, a maioria em preto e branco, ao lado da esposa, com o filho, outra com a turma da empresa comemorando um dos seus aniversários. Tento poupa-lo da angustia e do vazio que aos poucos vai corroendo os restos dos seus dias, mudando de assuntos, mas ele insiste em revisitar o passado.  Procura uma foto da filha para me mostrar mas não encontra. Com um misto de satisfação e curiosidade, abre um envelope encardido pelo tempo e encontra um cartão, desses que são feitos artesanalmente na escola (quando ela tinha 7 anos) para ser entregue aos pais, no dia dos pais daquele ano. No cartão  um pequeno coração traçado com linhas trêmulas, abrigava letras desenhadas com esmero e uma declaração: “Te amo papai”.  
              Olho para seu Fernando e vejo que naquele  corpo frágil,  envelhecido, cheio de rugas e maltratado pelo tempo, bate um coração, que ainda ama, sofre e espera, apesar de   ferido mortalmente pela solidão dos seus dias, pela indiferença dos familiares, e principalmente, pela ingratidão dos seus filhos.
               Despeço-me dele com caloroso aperto de mão enquanto enxergo no seu semblante um olhar de melancolia. Tento disfarçar minha expressão emotiva ou evitar encher os meus olhos de lágrimas. Não consigo.  E saio dali com a certeza de que como filho eu jamais escreveria uma história com enredo semelhante,  mas como pai, a gente nunca tem a  certeza e nem a segurança disso.

Do Livro: O Cio do Ócio - Contos & Crônicas / Adenildo Aquino - Pág. 93 - São Paulo, Editora Biblioteca 24Horas, 1ª Edição – setembro de 2019       


domingo, 12 de agosto de 2018

Ainda bem que existe dia dos pais




Ainda bem que existe o dia dos pais!
Não apenas pra lembrar aos filhos que eles têm pais,
mas para lembrar aos pais que eles têm filhos,
Mesmo sabendo que para uns
a paternidade existe...
e para outros ela apenas resiste!

Ainda bem que existe o dia dos pais!
Talvez para despertar nos filhos que não são pais
o desejo de sê-los,
ou  talvez para provocar nos pais
que não estão com os seus  filhos
o desejo de reavê-los.

Ainda bem que existe  o dia dos pais!
Para que os filhos que não sabem onde eles estão
Possam se redimir da ingratidão do abandono,
Ou os pais que não sabem onde os filhos estão,
Possam encontra-los e estancar a sensação de
de se sentirem  “cão sem dono”.

Ainda bem que existe o dia dos pais!
Para que eles  comemorem, a paternidade
com orgulho e satisfação
mesmo sabendo que embora muitos filhos
“esquecem” a data, por injustificada indiferença,

Ou deliberada  ingratidão.

Ainda bem que existe o dia dos pais!
Para que eles continuem colhendo os frutos
da importância paternal, mesmo quando
a sua utilidade já se foi, cumpriu seu compromisso,
pois “a utilidade passa, 
mas a  importância é para toda a vida”!
E infeliz do filho que não sabe distinguir isso!


segunda-feira, 30 de julho de 2018

Quebrando mitos



Doutor Paulo Ubiratan, de Porto Alegre, RS, em entrevista a uma TV local, foi questionado sobre vários conselhos que sempre nos são dados…

Pergunta: Exercícios cardiovasculares prolongam a vida, é verdade?
Resposta: O seu coração foi feito para bater por uma quantidade de
vezes e só… não desperdice essas batidas em exercícios. Tudo se
gasta eventualmente. Acelerar seu coração não vai fazer você viver
mais. Isso é como dizer que você pode prolongar a vida do seu carro dirigindo mais depressa. Quer viver mais? Tire uma soneca!!!

Pergunta: Nadar é o melhor exercício?
Resposta: Pergunte a baleia, pelo que sei ela nada o dia inteiro e no entanto é uma verdadeira balofa!!!

Pergunta: Devo cortar a carne vermelha e comer mais frutas e vegetais?
Resposta: Você precisa entender a logística da eficiência. O que a vaca come? Feno e milho. O que é isso? Vegetal. Então um bife nada mais é do que um mecanismo eficiente de colocar vegetais no seu sistema. Precisa de grãos? Coma frango.

Pergunta: Devo reduzir o consumo de álcool?
Resposta: De jeito nenhum. Vinho é feito de fruta. Brandy é um vinho destilado, o que significa que, eles tiram a água da fruta de modo que você tire maior proveito dela. Cerveja também é feita de grãos. Pode entornar!

Pergunta: Quais são as vantagens de um programa regular de exercícios?
Resposta: Minha filosofia é: Se não tem dor… tá bom!

Pergunta: Frituras são prejudiciais?
Resposta: VOCÊ NÃO ESTÁ ME ESCUTANDO!!! .. Hoje em dia a comida é frita em óleo vegetal. Na verdade ficam impregnadas de óleo vegetal. Como pode mais vegetal ser prejudicial para você?

Pergunta: Flexões ajudam a reduzir a gordura?
Resposta: Absolutamente não! Exercitar um músculo faz apenas com que ele aumente de tamanho.

Pergunta: Chocolate faz mal?
Resposta: Tá maluco? !!!! Cacau!!!! Outro vegetal!! É uma comida boa pra se ficar feliz!!!

E, lembre-se: A vida não deve ser uma viagem para o túmulo, com a intenção de chegar lá são e salvo, com um corpo atraente e bem
preservado.


Melhor enfiar o pé na jaca – Cerveja em uma mão – tira gosto na outra – muito sexo e um corpo completamente gasto, totalmente usado, gritando: Valeu!!! Que Viagem!!!

domingo, 29 de julho de 2018

Porque a mim?




Arthur Ashe,foi infectado com sangue infectado administrado durante a cirurgia cardíaca em 1983.

O lendário jogador de Wimbledon, estava morrendo de AIDS e recebeu cartas de seus fãs, uma das quais perguntou:

“Por que Deus teve que escolher você para uma doença tão horrível?”
Arthur Ashe respondeu:
Muitos anos atrás, cerca de 50 milhões de crianças começaram a jogar tênis, e uma delas era eu.
Cinco milhões realmente aprenderam a jogar tênis,
500 000 Tênis profissional aprendido,
50 mil chegaram ao circuito,
5 Mil alcançaram Grandslam,
50 Eles chegaram a Wimbledon,
4 Eles chegaram à semifinal,
2 Eles chegaram ao final e novamente um deles era eu.
Quando eu estava comemorando a vitória com o copo na mão, nunca me ocorreu perguntar a Deus
” Porque a mim? “.
Então, agora que estou com dor, como posso perguntar a Deus, “Por que eu?” .
A felicidade te mantem doce!
Os julgamentos mantem você forte!
As dores te mantem Humano!
A falha mantem você humilde !!
O sucesso mantem você brilhante!
Mas só, a fé o mantem em pé.
Às vezes você não está satisfeito com sua vida, enquanto muitas pessoas neste mundo sonham em poder ter sua vida.
Uma criança em uma fazenda vê um avião que voa e sonha em voar.
Mas, o piloto desse avião, voa sobre a fazenda e sonha em voltar para casa.
Assim é a vida!! Aprecie o seu …
Se a riqueza é o segredo da felicidade, os ricos devem estar dançando nas ruas.
Mas apenas crianças pobres fazem isso.
Se o poder garante segurança, os VIPs devem andar sem guarda-costas.
Mas apenas aqueles que vivem humildemente, sonham em silêncio.
Se a beleza e a fama atraem relacionamentos ideais,
Celebridades devem ter os melhores casamentos.
Tenha fé em você mesmo!
Viva humildemente. Caminha humildemente e ama com o coração …!

Arthur Ashe - morreu das complicações resultante de AIDS em 6 de fevereiro de 1993.