terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

Estamos todos na Fila

A cada minuto alguém deixa esse mundo pra trás.

Não sabemos quantas pessoas estão na nossa frente.
Não dá pra voltar pro “fim da fila”.
Não dá pra sair da fila.
Nem evitar essa fila.
Então, enquanto esperamos a nossa vez:

Faça valer a pena cada momento vivido aqui na Terra.
Tenha um propósito.
Motive pessoas!
Elogie mais, critique menos.
Faça um “ninguém” se sentir um alguém do seu lado.
Faça alguém sorrir.
Faça a diferença.
Faça amor.
Faça as pazes.
Faça com que as pessoas se sintam amadas.
Tenha tempo pra você.
Faça pequenos momentos serem grandes.
Faça tudo que tiver que fazer e vá além.
Viva novas experiências.
Prove novos sabores.
Não tenha arrependimentos por ter tentado além do que devia, por ter valorizado alguém mais do que deveria, por ter feito mais ou menos do que podia.
Tudo está no lugar certo.
As coisas só acontecem quando têm quem acontecer.
Releve.
Não guarde mágoas.
Guarde apenas os aprendizados.
Liberte o rancor.
Transborde o amor.
Doe amor.
Ame, mesmo quem não merece.
Ame, sem querer receber nada em troca.
Ame, pelo simples fato de você vibrar amor e ser amor.
Mas sempre, ame a si mesmo antes de qualquer coisa.

Esteja preparado para partir a qualquer momento.

Você não sabe seu lugar na Fila, então se prepare pra deixar aqui apenas boas lembranças. Suas mãos vão embora vazias.
Não dá pra levar malas, nem bens...
Se prepare DIARIAMENTE pra levar consigo, somente aquilo que tens guardado no coração.

                                  (Desconheço a autoria)

O MEDO DA INTELIGÊNCIA



O artigo que se segue tem mais de 40 anos. Foi escrito no extinto Jornal da Bahia (Brasil), em 1979. Mas parece que foi redigido hoje. O autor é José Alberto Gueiros.

Quando Winston Churchill, ainda jovem, acabou de pronunciar o seu discurso de estreia na Câmara dos Comuns, foi perguntar a um velho parlamentar, amigo de seu pai, o que tinha achado do seu primeiro desempenho naquela assembleia de vedetas políticas. O velho pôs a mão no ombro de Churchill e disse, em tom paternal: 

"Meu jovem, você cometeu um grande erro. Foi muito brilhante neste seu primeiro discurso na Casa. Isso é imperdoável. Devia ter começado um pouco mais na sombra. Devia ter gaguejado um pouco. Com a inteligência que demonstrou hoje, deve ter conquistado, no mínimo, uns trinta inimigos. O talento assusta." 

E ali estava uma das melhores lições de abismo que um velho sábio pode dar ao pupilo que se inicia numa carreira difícil. A maior parte das pessoas encasteladas em posições políticas são medíocres e tem um indisfarçável medo da inteligência. Isso na Inglaterra. Imaginem aqui noutros países. Não é demais lembrar a famosa trova de Ruy Barbosa: 

"Há tantos burros mandando em homens de inteligência, que às vezes fico pensando que a burrice é uma Ciência." 

Temos de admitir que, de um modo geral, os medíocres são mais obstinados na conquista de posições. Sabem ocupar os espaços vazios deixados pelos talentosos displicentes que não revelam o apetite do poder. Mas é preciso considerar que esses medíocres ladinos, oportunistas e ambiciosos, têm o hábito de salvaguardar suas posições conquistadas com verdadeiras muralhas de granito por onde talentosos não conseguem passar. Em todas as áreas encontramos dessas fortalezas estabelecidas, as panelinhas do arrivismo, inexpugnáveis às legiões dos lúcidos. 

Dentro desse raciocínio, que poderia ser uma extensão do Elogio da Loucura de Erasmo de Roterdam, somos forçados a admitir que uma pessoa precisa fingir de burra se quiser vencer na vida. É pecado fazer sombra a alguém até numa conversa social. Assim como um grupo de senhoras burguesas bem casadas boicota automaticamente a entrada de uma jovem mulher bonita no seu círculo de convivência, por medo de perder seus maridos, também os encastelados medíocres se fecham como ostras à simples aparição de um talentoso jovem que os possa ameaçar. Eles conhecem bem suas limitações, sabem como lhes custa desempenhar tarefas que os mais dotados realizam com uma perna nas costas, enfim, na medida em que admiram a facilidade com que os mais lúcidos resolvem problemas, os medíocres os repudiam para se defender. É um paradoxo angustiante. 

Infelizmente temos de viver segundo essas regras absurdas que transformam a inteligência numa espécie de desvantagem perante a vida. Como é sábio o velho conselho de Nelson Rodrigues: "Finge-te de idiota e terás o céu e a terra”. 

O problema é que os inteligentes não gostam de brilhar. Que Deus os proteja para que as cobras não os ataquem.

                                                                 in "JORNAL DA BAHIA" - Sábado, 23/09/79

sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

Você acredita em Deus?


Você sabia que quando Einstein deu uma conferência em várias universidades dos EUA, a pergunta recorrente que os alunos fizeram foi:

– Você acredita em Deus?
E ele sempre respondia:
Eu acredito no Deus de Spinoza.

Quem não leu Spinoza não entendia a resposta.

Baruch De Spinoza foi um filósofo holandês considerado um dos três grandes racionalistas do século da filosofia, junto com o francês Descartes.

Este é o Deus ou a natureza de Spinoza:

Deus teria dito:

“Pare de ficar rezando e batendo no peito! O que quero que faça é que saia pelo mundo e desfrute a vida. Quero que goze, cante, divirta-se e aproveite tudo o que fiz pra você.

Pare de ir a esses templos lúgubres, obscuros e frios que você mesmo construiu e acredita ser a minha casa! Minha casa são as montanhas, os bosques, os rios, os lagos, as praias, onde vivo e expresso Amor por você.

Pare de me culpar pela sua vida miserável! Eu nunca disse que há algo mau em você, que é um pecador ou que sua sexualidade seja algo ruim. O sexo é um presente que lhe dei e com o qual você pode expressar amor, êxtase, alegria. Assim, não me culpe por tudo o que o fizeram crer.

Pare de ficar lendo supostas escrituras sagradas que nada têm a ver comigo! Se não pode me ler num amanhecer, numa paisagem, no olhar de seus amigos, nos olhos de seu filhinho, não me encontrará em nenhum livro.

Confie em mim e deixe de me dirigir pedidos! Você vai me dizer como fazer meu trabalho?

Pare de ter medo de mim! Eu não o julgo, nem o critico, nem me irrito, nem o incomodo, nem o castigo. Eu sou puro Amor.

Pare de me pedir perdão! Não há nada a perdoar. Se eu o fiz, eu é que o enchi de paixões, de limitações, de prazeres, de sentimentos, de necessidades, de incoerências, de livre-arbítrio. Como posso culpá-lo se responde a algo que eu pus em você? Como posso castigá-lo por ser como é, se eu o fiz?

Crê que eu poderia criar um lugar para queimar todos os meus filhos que não se comportem bem, pelo resto da eternidade? Que Deus faria isso? Esqueça qualquer tipo de mandamento, qualquer tipo de lei, que são artimanhas para manipulá-lo, para controlá-lo, que só geram culpa em você!

Respeite seu próximo e não faça ao outro o que não queira para você! Preste atenção na sua vida, que seu estado de alerta seja seu guia!

Esta vida não é uma prova, nem um degrau, nem um passo no caminho, nem um ensaio, nem um prelúdio para o paraíso. Esta vida é só o que há aqui e agora, e só de que você precisa.

Eu o fiz absolutamente livre. Não há prêmios, nem castigos. Não há pecados, nem virtudes. Ninguém leva um placar. Ninguém leva um registro. Você é absolutamente livre para fazer da sua vida um céu ou um inferno.

Não lhe poderia dizer se há algo depois desta vida, mas posso lhe dar um conselho: Viva como se não o houvesse, como se esta fosse sua única oportunidade de aproveitar, de amar, de existir. Assim, se não houver nada, você terá usufruído da oportunidade que lhe dei.

E, se houver, tenha certeza de que não vou perguntar se você foi comportado ou não. Vou perguntar se você gostou, se se divertiu, do que mais gostou, o que aprendeu.

Pare de crer em mim! Crer é supor, adivinhar, imaginar. Eu não quero que você acredite em mim, quero que me sinta em você. Quero que me sinta em você quando beija sua amada, quando agasalha sua filhinha, quando acaricia seu cachorro, quando toma banho de mar.

Pare de louvar-me! Que tipo de Deus ególatra você acredita que eu seja? Aborrece-me que me louvem. Cansa-me que me agradeçam. Você se sente grato? Demonstre-o cuidando de você, da sua saúde, das suas relações, do mundo. Sente-se olhado, surpreendido? Expresse sua alegria! Esse é um jeito de me louvar.

Pare de complicar as coisas e de repetir como papagaio o que o ensinaram sobre mim! A única certeza é que você está aqui, que está vivo e que este mundo está cheio de maravilhas.

Para que precisa de mais milagres? Para que tantas explicações? Não me procure fora. Não me achará. Procure-me dentro de você. É aí que estou, batendo em você.”

domingo, 12 de janeiro de 2020

AS REGRAS PARA "SER" UM "HUMANO"


Quando nascemos, não ganhamos um manual do proprietário ou mapa para estudarmos; as diretrizes abaixo, fazem a vida funcionar melhor.


1. Você receberá um corpo.
Você pode gostar dele ou odiá-lo, mas ele será seu enquanto durar seu tempo por aqui.

2. Você fará um aprendizado.
Você está inscrito por tempo integral numa escola informal chamada Vida. A cada dia nesta escola você terá a oportunidade de aprender lições. Você pode gostar das lições ou achá-las estúpidas ou irrelevantes.

3. Não existem erros, apenas lições.

Crescer é um processo de tentativa e erro: experimentação. Os experimentos “fracassados” são parte do processo, tanto quanto o experimento que efetivamente “funciona”.

4. Uma lição será repetida até que seja aprendida.

Uma lição lhe será apresentada de formas variadas, até que você a tenha aprendido. Quando a tiver aprendido, você poderá passar à lição seguinte.

5. O aprendizado nunca termina.

Não há parte da vida que não contenha suas lições. Enquanto você estiver vivo, haverá lições a serem aprendidas.

6. “Lá” não é melhor do que “aqui”.

Quando o seu “lá” tiver se tornado um “aqui”, você simplesmente obterá um outro “lá”, que novamente parecerá melhor do que “aqui”.

7. Os outros são meramente seus espelhos.

Você não pode amar ou odiar algo em outra pessoa, a menos que isso reflita algo que ama ou odeia em si mesmo.

8. O que você faz da sua vida é escolha sua.

Você possui todas as ferramentas e recursos de que precisa. O que fará com eles depende de você. A escolha é sua.

9. Suas respostas estão dentro de você.
As respostas às questões da Vida estão dentro de você. Tudo que você precisa fazer é ver, ouvir e confiar.

10. Você se esquecerá de tudo isso.


(Traduzido e compilado por Paulo R. Simões. 
Texto original: Chérie Carter Scott) e publicado no site: www.eusouluz.com.br

quinta-feira, 26 de dezembro de 2019

Quem deixou meus pais envelhecerem?


O combinado não era eles serem jovens para sempre? 

Meus pais não são velhos. Quer dizer, velho é um conceito relativo. Aos olhos da minha avó são muito moços. Aos olhos dos amigos deles, são normais. Aos olhos das minhas sobrinhas, são muito velhos. Aos meus olhos, estão envelhecendo. Não sei se lentamente, se rápido demais ou se no tempo certo. Mas sempre me causando alguma estranheza. 

Lembro-me de quando minha mãe completou 60 anos. Aquele número me assustou. Os 59 não pareciam muito, mas os 60 pareciam um rolo compressor que se aproximava. Daqui uns anos ela fará seus 70 e eu espero não tomar um susto tão grande dessa vez. Afinal, são apenas números. 

Parece-me que a maior dificuldade é aprendermos a conciliar nosso espírito de filho adulto com o progressivo envelhecimento deles. Estávamos habituados à falsa ideia que reina no peito de toda criança de que eles eram invencíveis. As gripes deles não eram nada, as dores deles não eram nada. As nossas é que eram graves, importantes e urgentes. E de repente o quadro se inverte. 

Começamos a nos preocupar - frequentemente de forma exagerada - com tudo o que diz respeito a eles. A simples tosse deles já nos parece um estranho sintoma de uma doença grave e não uma mera reação à poeira. Alguns passos mais lentos dados por eles já não nos parecem calma, mas sim uma incômoda limitação física. Uma conta não paga no dia do vencimento nos parece fruto de esquecimento e desorganização e não um simples atraso como tantos dos nossos. 

Num dado momento já não sabemos se são eles que estão de fato vivendo as sequelas da velhice que se aproxima ou se somos nós que estamos excessivamente tensos, por começarmos a sentir o indescritível medo da hipótese de perdê-los- mesmo que isso ainda possa levar 30 anos. 

Frequentemente nos irritamos com nossos pais, como se eles não estivessem tendo o comportamento adequado ou como se não se esforçassem o bastante para manterem-se jovens, vigorosos e ativos, como gostaríamos que eles fossem eternamente. De vez em quando esbravejamos e damos broncas neles como se estivéssemos dentro de um espelho invertido da nossa infância. 

Na verdade, imagino eu, nossa fúria não é contra eles. É contra o tempo. O mesmo tempo que cura, ensina e resolve é o tempo que avança como ameaça implacável. A nossa vontade é gritar “Chega, tempo! Já basta! 60 já está bom! 65 no máximo! 70, não mais do que isso! Não avance, não avance mais!”. E, erroneamente, canalizamos nos nossos pais esse inconformismo. 

O fato é que às vezes a lentidão, o esquecimento e as limitações são, de fato, frutos da idade. Outras vezes são apenas frutos da rotina, tão naturais quanto os nossos equívocos. Seja qual for a circunstância, eles nunca merecem ter que lidar com a nossa angústia. Eles já lidaram com os nossos medos todos- de monstros, de palhaços, de abelhas, de escuro, de provas de matemática- ao longo da vida. Eles nos treinaram, nos fortaleceram, nos tornaram adultos. E não é justo que logo agora eles tenham que lidar com as nossas frustrações. Eles merecem que sejamos mais generosos agora. 

Mais paciência e menos irritação. Menos preocupação e mais apoio. Mais companheirismo e menos acusações. Menos neurose e mais realismo. Mais afeto e menos cobranças. Eles só estão envelhecendo. E sabe do que mais? Nós também. E é melhor fazermos isso juntos, da melhor forma.


Escrito por  RUTH MANUS -  Advogada e professora universitária. Lê Drummond, ouve pagode, ama chuchu com bacon e salas de embarque. Dá risada falando de coisa séria. Não perde um XV de Piracicaba contra Penapolense por nada. Sofre de incontinência verbal, tem medo de vaca e de olheiras, que nem todo mundo.

sexta-feira, 20 de dezembro de 2019

Rei Morto, Rei Posto


               Dia desses, Paulo precisava ir até a clínica onde havia marcado uma consulta para iniciar seu check-up periódico. Era um dia carregado de afazeres. Ele já havia feito vários adiamentos e não queria protelar mais uma vez. Precisava cuidar da saúde. O horário agendado coincidia com o horário em que o trânsito provoca na cidade uma efervescência louca. O chamado “horário de pico”. Um fato que aflora a impaciência e afeta a sua baixa resistência ao caos provocado pela desordem e falta de organização do trânsito, que é cada vez mais formado por motoristas deseducados, adeptos da “Lei de Gérson”, transgressores deliberados e, por vezes, ignorantes das regras que o regem. Resolveu deixar o carro em casa e ir a pé. 
               Além de uma decisão fisicamente saudável, era também ecológica e financeira, haja vista que evitava despejar uma parcela, ainda que ínfima, de gás carbônico na natureza, economizava combustível (e, consequentemente, alguns trocados). Sem citar que o pedestrianismo não envolvia nenhuma dificuldade técnica, sendo uma atividade simultaneamente relaxante e agradável, e “muito recomendada para quem, como ele, já estava no segundo degrau da fase do ‘enta’”. Foi como disseram seus colegas de trabalho, quando comentou com eles tal decisão.                
               O trecho a percorrer era em torno de três quilômetros, e, vendo as pessoas encapsuladas num veículo, sem esquecer que ele diariamente fazia parte desse contingente, raciocinou que elas faziam este percurso muito mais por comodismo (ou inconsciência sedentária) que por necessidade, fato que os privavam de algumas descobertas, curiosidades e certos deslumbramentos paisagísticos, só possíveis na caminhada, como ele vinha constatando.  
                  Logo no primeiro quarteirão, cometeu um abuso: acelerou o passo para economizar alguns segundos na travessia de uma rua, num cruzamento cujo semáforo estava na iminência de fechar, mas não deu tempo. A situação exigia uma demanda física que o seu corpo não conseguia atender. Quase foi atropelado. Chegou ao destino. Conferiu o relógio e calculou o tempo da caminhada: em torno de 25 minutos. Feito os procedimentos de identificação, como é de praxe nos consultórios, sentou-se e começou a folhear algumas dessas revistas que os consultórios colocam para entreter os pacientes e lhes aliviar a espera, até serem chamados para o atendimento.  
             A pressão arterial não estava normal, e a frequência cardíaca estava fora dos parâmetros previstos para a sua faixa etária. Ficou preocupado. Não imaginou que estaria muito discrepante das medições feitas nas consultas anteriores.  
                Conversou com o médico sobre a sua façanha de, naquele dia, ter trocado os pedais do carro por um par de tênis e do percurso feito a pé, e o médico aproveitou para ressaltar e apregoar os inúmeros benefícios para a saúde que tal troca proporciona: melhoria da circulação da pressão sanguínea, da frequência cardíaca, além de elevar a autoestima e evitar a depressão (já que a atividade aumenta a produção de serotonina e traz a sensação de bem estar). Dito isso, desafiou-o a fazer uma caminhada de vinte minutos, pelos próximos 30 dias e por, no mínimo, 3 vezes por semana. Fazendo isso, ele passaria da categoria de “inativo” para “moderadamente inativo”. Condição que diminui em torno de 16% a 30% o risco de mortes prematuras. Dados estatisticamente comprovados por pesquisas realizadas por entidades especializadas. Saiu do consultório com o firme propósito de mudar. Em casa, marcou no calendário algumas metas a alcançar, inclusive, a data de retorno ao consultório. 
                   Infelizmente, Paulo não voltou ao consultório na data marcada para prestar contas do seu compromisso com o seu cardiologista. As atribuições e atribulações profissionais o levaram de volta ao universo do sedentarismo. Sem controle de horário para as refeições, sem uma alimentação saudável, sem disciplina no cuidado com sua saúde e sem dar atenção às vozes do seu corpo, sofreu um infarto fulminante na empresa durante uma reunião de negócios. 
              Nas palavras do seu médico, Paulo “passou a engrossar as estatísticas das mortes por sedentarismo, que, no Brasil, perdem apenas para diabetes, tabagismo e hipertensão, fatores de riscos aos quais também estava exposto”.      
                   Quinze dias depois, a empresa apresentou o profissional que iria preencher sua vaga. Rei Morto, Rei Posto. Esse é o mundo corporativo. Dentre os pertences encontrados em uma das gavetas de sua mesa, um livro de autoajuda, presente da esposa, por ocasião do seu último aniversário, com uma dedicatória em forma de desabafo: “Nenhuma flor sobrevive se não souber cultivála”, e, em sequência, uma recomendação e um alerta: “... que você não perca a vida tentando ganhá-la”. Pareceu premonição. Numa outra gaveta, um porta-retratos com fotos do filho caçula, a quem prometera levar à Disney quando completasse dez anos (e não cumpriu). Numa pequena estante ao lado, um troféu conquistado pela excelência no desempenho da função, certamente trocado por sua saúde, por momentos significantes de sua vida pessoal, pela sua felicidade e por algum dinheiro na poupança, que não deu tempo de gastar. 
                 Na missa de 30º dia, reencontrei alguns dos amigos em comum, e um deles lembrou uma frase citada por Paulo num evento de premiação, ao receber um certificado de “honra ao mérito” pelo cumprimento das metas do trimestre anterior: “Tem coisas na vida que não têm preço...”, mas ele esqueceu que a frase estava ncompleta: “... mas muitas têm troco”, e consequências fatais!     


Do Livro: O Cio do Ócio - Contos & Crônicas / Adenildo Aquino - Pág. 57 - São Paulo, Editora Biblioteca 24Horas, 1ª Edição – setembro de 2019       



Gratidão X Ingratidão

Um famoso escritor estava em sua sala de estudo. Pegou a caneta e começou a escrever:

No ano passado precisei fazer uma cirurgia para a retirada da vesícula biliar. Tive que ficar de cama por um bom tempo.

Nesse mesmo ano, cheguei a idade de 60 anos e tive que renunciar ao meu trabalho favorito. Havia permanecido 30 anos naquele editorial.

No mesmo ano, experimentei a dor pela morte de meu pai e meu filho fracassou em seu exame médico porque  teve um acidente  de automóvel e ficou hospitalizado por vários dias. A destruição do carro foi outra perda.

Ao final escreveu:
“FOI UM ANO MUITO MAL!”

Quando a esposa do escritor entrou na sala, o encontrou triste em meio aos seus pensamentos. Por trás dele, leu o que estava escrito no papel.

Saiu da sala em silêncio e voltou com outro papel que colocou ao lado do papel de seu marido.  

Quando o escritor viu o papel, encontrou escrito o seguinte:

No ano passado finalmente me desfiz de minha vesícula biliar, depois de passar anos com dor.

Completei 60 anos com boa saúde e me retirei do meu trabalho. Agora posso utilizar meu tempo para escrever com maior paz e tranquilidade. 

No mesmo ano, meu pai, com a idade de 95 anos, sem depender de nada e sem nenhuma condição crítica, conheceu seu Criador.

Meu carro foi destruído, mas meu filho ficou vivo sem nenhuma sequela. 

Ao final, ela escreveu:
“ESSE ANO FOI UMA GRANDE BENÇÃO!”

Eram os mesmos acontecimentos, mas com pontos de vista diferentes.  
Se refletimos bem, temos inúmeras razões para ser gratos a Deus.  
Não é a FELICIDADE   que nos torna GRATOS,  mas, sim,
a GRATIDÃO  que nos faz FELIZES!
Sempre há algo para agradecer! Você escolhe como escrever sua história!

                                                                      (Desconheço a autoria)